69% das organizações continuam a sofrer ciberataques, apesar de reforçarem a sua defesa

A Veeam apresenta o seu relatório 2025 sobre tendências em matéria de ransomware, no qual alerta para a evolução do risco, a recorrência dos ataques e a necessidade de avançar para uma ciberresiliência proativa.
29 de Abril, 2025

Num contexto em que as ciberameaças evoluem rapidamente, o novo relatório apresentado pela Veeam Software no âmbito do evento VeeamON 2025 alerta que 69% das organizações inquiridas sofreram pelo menos um ataque de ransomware durante o último ano, o que demonstra que, apesar da melhoria das defesas, a exposição continua elevada.

Embora esse número represente uma ligeira melhoria em relação aos 75% registrados no relatório anterior, a realidade subjacente é que os atacantes continuam a adaptar-se com rapidez e eficácia às mudanças nas estratégias defensivas.

O relatório, intitulado “Do risco à resiliência: relatório da Veeam 2025 sobre tendências e estratégias proativas contra ransomware” reúne as respostas de 1.300 responsáveis pela segurança, tecnologia e operações em organizações de todo o mundo. A investigação destaca a necessidade urgente de passar de uma postura defensiva reativa para uma estratégia ativa de resiliência de dados.

Novos vetores, novas táticas e desafios mais complexos

Uma das conclusões mais importantes do estudo é o crescimento dos ataques baseados exclusivamente na exfiltração de dados, uma tática que evita a encriptação ou o bloqueio da informação e se concentra diretamente no roubo de dados confidenciais. Esta abordagem afeta especialmente as organizações com medidas de segurança pouco robustas, onde as brechas podem ocorrer em questão de horas.

Os mesmos dados também indicam que os pagamentos por ransomware estão a diminuir: 36% das organizações afetadas decidiram não pagar e, das que pagaram, a maioria acabou por desembolsar montantes significativamente inferiores aos inicialmente exigidos. Esta mudança responde em parte à crescente pressão legal e regulatória em torno do pagamento de resgates, bem como a uma maior consciencialização sobre as alternativas de recuperação.

Paralelamente, a desarticulação de grupos organizados como LockBit ou BlackCat em 2024 deu lugar a uma maior atividade por parte de grupos mais pequenos e atores independentes, o que exige uma vigilância constante e mais transversal.

O impacto operacional e a lacuna de perceção

O relatório também lança luz sobre a lacuna existente entre a perceção da preparação e a realidade da resposta a incidentes. 69% dos inquiridos afirmaram sentir-se preparados antes do ataque, mas após sofrê-lo, o nível de confiança diminuiu drasticamente.

Esta queda foi especialmente acentuada entre os CIO, cujo grau de preparação diminuiu 30%, contra uma queda de 15% entre os CISO. A diferença sugere que os responsáveis pela segurança têm uma visão mais precisa do risco real.

Embora 98% das organizações afirmem ter um plano documentado contra ransomware, menos da metade contempla aspetos técnicos críticos, como a verificação periódica de cópias de segurança ou uma cadeia de comando claramente definida. Estes dados refletem uma preparação incompleta e a necessidade de reforçar os planos de resposta de forma integral.

Ciberresiliência proativa e melhores práticas

De acordo com o estudo, as organizações que priorizam a resiliência dos dados podem recuperar-se até sete vezes mais rápido e minimizar significativamente a perda de informações. Essas organizações compartilham práticas comuns, como uma estratégia robusta de backup, medidas proativas de segurança e um planeamento eficaz para a recuperação.

Entre as recomendações recolhidas pela Veeam destaca-se a adoção da regra 3-2-1-1-0, que promove a criação de cópias de segurança imutáveis e livres de malware antes da sua restauração. Da mesma forma, é enfatizada a alinhamento entre departamentos e a necessidade de formação contínua e exercícios práticos que garantam uma resposta coordenada.

O relatório também constata que, embora os orçamentos para segurança e recuperação estejam a aumentar, continuam a ser insuficientes para fazer face ao crescimento constante das ameaças. Por isso, a Veeam apela à consolidação dos investimentos em tecnologias de recuperação, ao fomento da colaboração com agências de segurança e ao reforço das capacidades internas através da melhoria da governança dos dados e da automatização dos processos de recuperação.

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