A ascensão da inteligência artificial complica o recrutamento de talento

Empresas enfrentam um aumento de currículos gerados por inteligência artificial, enquanto avaliam novas estratégias de recrutamento baseadas em competências e testes práticos.
30 de Setembro, 2025

O uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) para adaptar currículos a ofertas de emprego específicas está a tornar-se cada vez mais comum. De acordo com alguns especialistas as empresas estão a ser confrontadas com um volume crescente de candidaturas muito semelhantes, que oferecem pouca clareza sobre as competências reais dos candidatos.

Embora a maioria das organizações continue a exigir um currículo no processo de candidatura, existe uma mudança gradual de enfoque, sobretudo no setor tecnológico. Muitos departamentos de recursos humanos estão a privilegiar testes de competências realizados por software, apresentação de portefólios e tarefas práticas em detrimento do currículo tradicional. Esta evolução não elimina o papel do CV, mas evidencia que confiar apenas nesse documento já não é suficiente para quem procura emprego.

Um estudo da Criteria, baseado em entrevistas a mais de 350 profissionais de recursos humanos em todo o mundo, mostra que 74% dos decisores admitem ter dificuldades em identificar candidatos adequados devido ao excesso de currículos otimizados por IA. Ferramentas como o ChatGPT da OpenAI são utilizadas para redigir, melhorar ou até inventar informações em candidaturas, prática que não passa despercebida aos recrutadores.

A falta de confiança nos currículos é confirmada por outra análise, o “Skills Report” da empresa Hirevue, especializada em IA para recursos humanos. Segundo este levantamento, 72% dos responsáveis de RH afirmam não confiar totalmente nas competências apresentadas em currículos, e metade admite ter dificuldades em validá-las. Apenas 26% acreditam que os métodos atuais de recrutamento baseados em competências são eficazes.

Há empresas que relatam um fenómeno de “fadiga de competências”, que ocorre quando existe vontade de mudar os métodos de recrutamento, mas a adoção é travada por incertezas e por ferramentas consideradas ineficazes.

O aumento de práticas fraudulentas suportadas por IA, incluindo entrevistas manipuladas com recurso a deepfakes, levou multinacionais como Google, Cisco e McKinsey a retomarem entrevistas presenciais. A medida visa não apenas reduzir o risco de fraude, mas também permitir uma avaliação mais direta das capacidades dos candidatos.

Paralelamente, cresce a utilização de ferramentas de IA pelas próprias empresas para realizar testes de competências e simulações práticas. De acordo com projeções referidas em estudos do setor, entre 35% e 45% dos departamentos de recursos humanos poderão adotar, até 2026, soluções baseadas em IA para selecionar e entrevistar candidatos.

Para os especialistas, empresas que adotem metodologias como simulações de trabalho ou avaliações específicas de competências podem alcançar ganhos tangíveis e mensuráveis.

Com informação Computerworld

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