Gabriel Coimbra

 “A cibersegurança deixou de ser um tema técnico para passar a ser um tema de gestão”

À conversa com o Digital Inside, Gabriel Coimbra, Partner da GoingNext, explica a génese do projeto, o que diferencia este evento de outras conferências do setor e porque razão os CEO têm agora de estar sentados à mesa quando se fala de risco digital.
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No próximo dia 4 de março, o Centro de Congressos do Estoril recebe a primeira edição do Portugal Digital Cyber eXperience 2026, um evento que pretende colocar a cibersegurança no centro das decisões estratégicas das organizações. À conversa com o Digital Inside, Gabriel Coimbra, Partner da GoingNext, explica a génese do projeto, o que diferencia este evento de outras conferências do setor e porque razão os CEO têm agora de estar sentados à mesa quando se fala de risco digital.

O que é a GoingNext e como surge este projeto num mercado já bastante ativo em eventos tecnológicos?

A GoingNext nasce formalmente em 2025, mas resulta de uma reflexão que já vinha a ser feita há algum tempo. Depois de 25 anos ligado à IDC, e estando envolvido em vários projetos de investimento, senti que havia espaço no mercado português para um projeto totalmente nacional, com ambição e foco exclusivo em criar um grande ecossistema de decisores ligados ao digital e à inteligência artificial.

O nosso objetivo é criar um espaço onde se discutam os grandes desafios, mas sobretudo as grandes oportunidades que a tecnologia — e em particular a IA — traz à economia portuguesa e às organizações.

O primeiro grande passo foi o Portugal Digital Summit. Que balanço faz dessa estreia?

Muito positivo. O Portugal Digital Summit afirmou-se rapidamente como o nosso evento-bandeira. Conseguimos reunir mais de 3.000 decisores e, acima de tudo, criar uma discussão transversal entre tecnologia e negócio.

Tradicionalmente, estes eventos ou são muito técnicos ou muito focados no negócio. Aqui conseguimos juntar os CIO, CTO, CEO, responsáveis de marketing e líderes de várias áreas funcionais para falar da mesma coisa: o impacto real do digital no negócio.

É nesse contexto que surge agora o Portugal Digital Cyber eXperience?

Exatamente. A cibersegurança é hoje um dos temas mais críticos para qualquer organização, mas continua muitas vezes a ser tratada como um problema exclusivamente técnico. O Portugal Digital Cyber eXperience nasce para mudar isso.

Queremos falar de cibersegurança como um tema de estratégia, de governance, de regulação e de resiliência do negócio. Não apenas de tecnologia.

O que diferencia este evento de outras conferências de cibersegurança que já existem no mercado?

Desde logo o formato. O Cyber eXperience não é apenas um conjunto de palestras. Vamos ter demonstrações ao vivo, desafios práticos (hands-on) e um challenge onde os participantes podem interagir e aprender fazendo.

Depois, a própria estrutura do evento é diferente. Teremos quatro palcos:

  • Estratégia & Governance
  • Regulação & Compliance
  • Resiliência & Resposta a Incidentes
  • Tecnologias Disruptivas

Em cada um deles haverá keynotes, case studies e painéis de discussão, sempre com uma ligação muito clara à realidade das organizações.

A regulação vai ser um dos temas centrais. Porquê este foco agora?

Porque estamos num momento decisivo. A nova legislação que transpõe a diretiva NIS2 entra em vigor pouco tempo depois do evento. Vamos ter um keynote do Centro Nacional de Cibersegurança precisamente para explicar, de forma clara e prática, o que muda, o que é exigido às organizações e quais são as consequências do incumprimento.

E não falamos apenas de NIS2. Falamos também de DORA e de todo o enquadramento regulatório que está a tornar a cibersegurança uma responsabilidade direta da gestão de topo.

Um dos momentos mais fortes será a sessão plenária de abertura, com a Ucrânia. O que podemos esperar?

Vai ser um momento muito marcante. Vamos ter um responsável do Instituto de Cyber Technologies da Ucrânia a explicar como um país em guerra gere a sua cibersegurança num contexto extremo.

É um exemplo limite, mas extremamente pedagógico. Mostra-nos como a tecnologia é usada para defender a soberania de um país e como a cibersegurança pode ser crítica para a continuidade de qualquer organização, mesmo fora de um contexto de guerra.

O evento inclui também um painel de CEOs, algo pouco comum em conferências de cibersegurança…

Sim, e isso é intencional. Teremos um painel com Rogério Henriques, CEO da Fidelidade, e Ferrari Careto, CEO da E-Redes.

Juntam-se ainda António Gameiro Marques, ex-diretor do Gabinete Nacional de Segurança, e Eduardo Penedes, da CrowdStrike.

Vamos discutir cibersegurança ao mais alto nível, do ponto de vista do risco, do investimento, da regulação e do impacto direto no negócio.

O Cyber eXperience olha também para o futuro da tecnologia?

Sem dúvida. Vamos ter especialistas do Instituto Superior Técnico a falar sobre computação quântica, nomeadamente o impacto que terá na criptografia, e também sobre blockchain como tecnologia de reforço da resiliência organizacional.

São temas que ainda parecem distantes para alguns decisores, mas que começam já a influenciar decisões estratégicas e investimentos de médio prazo.

Para terminar, a GoingNext tem ambições internacionais?

Sim, temos. O nosso foco principal é consolidar este ecossistema em Portugal, mas estamos claramente a estudar a criação de eventos de referência a nível europeu, ligados ao digital e à inteligência artificial. Em breve haverá novidades sobre isso.

Com um programa que cruza estratégia, regulação, tecnologia e liderança, o Portugal Digital Cyber eXperience 2026 afirma-se como um evento pensado para quem decide — e para quem responde — num dos domínios mais críticos da economia digital atual.

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