A substituição de tarefas de humanos pelas funções da Inteligência Artifical (IA) generativa é já um dado adquirido. Será o novo axioma da futura sociedade económica, apenas comparável na história contemporânea aos anos da Revolução Industrial. Os ganhos de produtividade e eficiência já se sentem em todos os sectores, com os subsequentes ganhos de rentabilidade das empresas. Inevitavelmente, a IA substituirá tarefas humanas, originando poupanças em recursos humanos; de forma inexorável, o aumento vertiginoso da velocidade nas tarefas executadas aumentará a produtividade e, “pour cause”, os rendimentos. As empresas enriquecem.
Mas o enriquecimento das empresas e o aumento do PIB nacional de cada Estado não geram, por si só, desenvolvimento e qualidade de vida para os cidadãos. Corremos o risco de que o valor criado seja canalizado exclusivamente para os donos e acionistas de empresas. Mas é necessário que a riqueza criada pela IA generativa seja bem distribuída por todos, donos das empresas de IA, donos de todos os sectores empresariais que aumentam a sua produtividade, mas também trabalhadores e famílias, Estados, autarquias, sociedade em geral.
Se os ganhos de rentabilidade da IA não beneficiarem todos, iremos repetir os erros pós-revolução industrial, com trabalhadores explorados e oprimidos, enquanto alguns acumulavam incomensuráveis fortunas. No início do século XX, sentiram-se amargamente as consequências destas políticas injustas, segregacionistas, extractivistas e desumanas. Foi um século de guerras mundiais, movimentos sindicais violentos, ditaduras emergentes, chacina de milhões. A ganância, ensina-nos a história, gera violência. Se os ganhos que a IA traz gerarem ganância equivalente, iremos repetir a história, com a tragédia que isso representa. Recordemos a lição de Santyana, gravada em letras de sangue em Auschwitz: “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo”.
Paulo de Morais é Director do Departamento de Ciência e Tecnologia na Universidade Portucalense







