Do JoomPro, o primeiro marketplace B2B cross‑border end‑to‑end do mundo, ao JoomPulse, um serviço de analytics para vendedores em marketplaces, desenvolvidos a partir de Portugal, a empresa está a construir produtos impossíveis antes da IA generativa — e a preparar-se para um mundo onde a velocidade e a capacidade de adaptação serão os maiores fatores de competitividade.
A IA está a tornar-se central no desenvolvimento de novos produtos tecnológicos. De que forma isso se reflete no trabalho que a Joom tem vindo a fazer?
A IA passou a ser um elemento estrutural no desenvolvimento dos nossos produtos. No caso do JoomPro, por exemplo, permitiu resolver desafios que antes eram tecnicamente impossíveis, como transformar descrições e imagens irregulares de fabricantes em previsões fiáveis de peso, dimensões, códigos aduaneiros ou requisitos de certificação. Só com IA generativa conseguimos atingir o nível de precisão necessário para lançar um marketplace B2B verdadeiramente end-to-end. O mesmo acontece com o JoomPulse, que produz análises de mercado em minutos, algo que tradicionalmente exigiria semanas de trabalho humano. A IA deixou de ser um complemento e tornou-se parte do próprio processo de criação.
Acredita que a IA vai alterar de forma radical a forma como startups são criadas e escaladas?
Sem dúvida. A comunidade de investimento espera ver, nos próximos anos, o primeiro unicórnio gerido por uma única pessoa. Isto mostra o impacto da IA no empreendedorismo. Hoje, um fundador talentoso pode substituir equipas inteiras por agentes de IA que executam tarefas de desenvolvimento, design ou marketing. Ainda não o fazem de forma perfeita, mas a evolução é exponencial e um ponto de viragem pode surgir a qualquer momento. Já não surpreende ver empresas com algumas dezenas de colaboradores a gerar mais de 100 milhões de dólares em receita.
A Joom também usa IA para acelerar decisões internas. Como funciona esse processo?
Usamos IA para analisar grandes volumes de dados não estruturados, como pedidos de clientes, conversas de vendas e feedback de mercado. A IA permite segmentar clientes, identificar necessidades prioritárias e orientar decisões estratégicas com muito mais precisão. Isto tornou-se parte essencial da preparação de estratégia em todas as unidades de negócio.
Que erros vê nas empresas que tentam implementar IA?
O erro mais comum é acreditar que a IA melhora automaticamente a eficiência de todos os colaboradores. Na verdade, ela amplifica o talento: os melhores tornam-se muito mais eficazes, enquanto os medianos podem até perder produtividade. Outro erro é a falta de controlo sobre subscrições e ferramentas, o que leva a gastos excessivos. E há ainda o facto de a IA continuar a errar — por isso defendemos sistemas de dupla verificação, onde um modelo valida o trabalho do outro.
Que competências tecnológicas serão essenciais para os líderes da próxima década?
A experiência acumulada está a perder peso porque o conhecimento fica obsoleto em meses. O que realmente importa é a capacidade de aprender rapidamente, a curiosidade, a abertura à mudança e a motivação para acompanhar o progresso tecnológico. A velocidade será um fator crítico: empresas lentas perderão relevância.
Como vê a evolução da IA nos próximos cinco anos?
A IA deixará de ser vista como uma ferramenta e passará a ser infraestrutura, tal como a internet ou a eletricidade. Isto vai acelerar a concentração de mercado: empresas que dominarem IA terão vantagens enormes em escala, dados e eficiência. Ao mesmo tempo, a IA tornará a expansão internacional muito mais simples, graças à localização instantânea de produtos e serviços.
A IA está a transformar o trabalho dentro das empresas. Como isso se reflete na Joom?
Implementamos uma estratégia de AI-Driven, a que chamamos “Efficiency & High Bar”. Promovemos o uso da IA como um assistente pessoal em todas as funções da companhia. Hoje, por exemplo, até 50% do código no Joom Group é gerado com suporte de IA, e os nossos recrutadores utilizam a tecnologia para identificar talentos entre milhões de perfis. Garantimos acesso total a qualquer ferramenta moderna para experimentação e investimos constantemente em formação através de cursos e workshops internos.
Essa transformação reforça nosso High Bar de talento. No último ano, menos de 1% dos candidatos foi contratado, e agora elevamos a barra ainda mais, priorizando a curiosidade e a agilidade em aprender a trabalhar com IA. Focamos estritamente nos resultados: colaboradores que utilizam a IA com eficácia aumentam sua produtividade e assumem mais desafios, enquanto encerramos o ciclo com aqueles que não conseguem evoluir sua eficiência nesse novo cenário.







