A integração da nova geração feminina nas TI

A edição de 2026 do Technovation Girls Challenge Portugal registou um aumento substancial na submissão de projetos, refletindo um esforço conjunto de várias entidades do mercado para aproximar as jovens das áreas tecnológicas. A final nacional, que decorrerá no dia 23 de maio, a partir das 14h00, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, servirá como montra para o desenvolvimento de novas soluções e como ponto de contacto entre estudantes, decisores e profissionais.
21 de Maio, 2026

A disparidade de género nas profissões ligadas às tecnologias de informação e comunicação tem motivado diversas iniciativas no mercado português, com o objetivo de captar talento feminino para as áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Neste panorama, o programa Technovation Girls Challenge Portugal tem procurado desconstruir a perceção de que o desenvolvimento de software e a engenharia são domínios estritamente masculinos. A iniciativa, direcionada para estudantes entre os oito e os dezoito anos, foca-se na criação de aplicações e soluções informáticas que respondam a problemas sociais concretos.

A organização deste projeto a nível nacional está a cargo da entidade Happy Code, que viu o seu trabalho distinguido recentemente na primeira edição da iniciativa Women Shaping Tech. Este galardão, promovido pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC) com o apoio de um vasto consórcio de empresas de telecomunicações e serviços de TI, reconheceu o impacto educativo da iniciativa na promoção da inclusão. O reconhecimento institucional alcançado contribuiu para aumentar a visibilidade do programa e consolidar a sua posição como um instrumento para o desenvolvimento de um tecido empresarial mais diverso.

A edição de 2026 reflete este momento de crescimento operacional, tendo registado um total de cento e oito projetos submetidos a concurso. Este volume de participações representa um aumento na ordem dos quarenta por cento em relação ao ano transato, constituindo um indicador do interesse crescente das faixas etárias mais jovens por disciplinas como a programação e a inteligência artificial. A coordenação nacional do projeto explicou que, para além da aquisição de competências técnicas, o programa incide fortemente no desenvolvimento de capacidades de gestão, pensamento crítico e planeamento estratégico, sublinhando que a atual adesão comprova a existência de uma geração empenhada em assumir um papel ativo no desenvolvimento tecnológico.

A culminar este processo de trabalho e mentoria, a final nacional está agendada para o dia vinte e três de maio, a partir das catorze horas. Pelo segundo ano consecutivo, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa atua como parceiro académico e anfitrião do evento, proporcionando às participantes um contacto direto com a realidade do ensino superior e da investigação em Portugal.

O evento de encerramento reunirá diversos atores do ecossistema tecnológico, desde estudantes e professores a responsáveis técnicos de várias organizações corporativas. Durante a sessão, as equipas terão a oportunidade de demonstrar as suas arquiteturas e modelos de negócio através de uma feira de projetos e de apresentações curtas perante um painel de jurados especialistas em negócios digitais. A agenda contempla ainda espaços dedicados ao estabelecimento de contactos profissionais, permitindo a interação direta entre os novos talentos e as entidades empregadoras e patrocinadoras.

A viabilidade deste programa de empreendedorismo assenta numa rede alargada de parcerias. Para além do suporte da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações e da Fundação Rei Balduíno, a iniciativa conta com o apoio de uma dezena de organizações, incluindo a Pluxee, Stop Hunger, Strypes, Bose, Capgemini, Celfocus, Experis, NTT Data, o Município de Lousada, a Universidade Portucalense e a associação responsável pelo domínio de topo nacional. O envolvimento deste conjunto diversificado de entidades sublinha a importância estratégica que o mercado corporativo atribui à captação de talento feminino para garantir a resposta às necessidades da economia digital.

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