É curioso observar o entusiasmo quase messiânico com que se fala de inteligência artificial. Todos a celebram, poucos a compreendem e ainda menos sabem como controlá-la. O tema atravessa a programação do evento, refletindo o fascínio coletivo por uma tecnologia que promete mudar tudo — mas sem garantir que saibamos o que fazer com esse poder. Da saúde à energia, da educação à criatividade, a IA será debatida como força de transformação, mas também como fonte de novas incertezas éticas, políticas e económicas.
Lisboa acolhe assim um debate que é tanto técnico como filosófico. De um lado, start-ups que procuram convencer investidores de que as suas ideias podem redefinir mercados e multiplicar ativos. Do outro, juristas, economistas, políticos e filósofos que se questionam sobre os limites dessa transformação. É um raro momento em que a tecnologia e o pensamento se cruzam — e em que a inovação parece obrigar-nos a refletir sobre o próprio conceito de progresso.
A sessão de abertura, está marcada para hoje dia 10, às 18h na Altice Arena, com a presença de Gonçalo Matias, ministro Adjunto e da Reforma do Estado, e de Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa. O simbolismo não passa despercebido: o diálogo entre governos e tecnologia tornou-se indispensável num mundo onde a regulação corre atrás da inovação.
A Web Summit volta, portanto, a fazer de Lisboa a capital do futuro. Um futuro em permanente construção, cheio de promessas e de contradições, onde o entusiasmo tecnológico convive com o ceticismo racional. A cidade torna-se, durante quatro dias, o epicentro de uma discussão global que vai muito além dos palcos e dos painéis — uma discussão sobre o papel dos algoritmos num mundo ainda dominado por seres humanos.

