A maturação do ecossistema de inteligência artificial aplicada à produtividade e ao quotidiano caminha a passos largos rumo à autonomia física de dispositivos dedicados. a OpenAI prepara-se para testar a sua maturidade comercial fora do ecossistema estritamente digital. No ano passado, a tecnológica norte-americana realizou um investimento avultado de 6,5 mil milhões de dólares para adquirir a io Products, uma startup de dispositivos cofundada por Jony Ive, o antigo e influente diretor de design da Apple. O próprio estúdio criativo independente de Ive, o LoveFrom, encontra-se agora totalmente envolvido no desenvolvimento desta nova linha de produtos, cujo portefólio planeado abrange cerca de cinco equipamentos distintos em fase de desenvolvimento.
A OpenAI planeia introduzir no mercado uma coluna inteligente portátil e sem ecrã, que se posicionará como o primeiro dispositivo físico da marca a chegar ao mercado global. Este aparelho integrará tecnologia de voz avançada para escutar e responder de forma simultânea e adaptativa, com o objetivo de suportar conversações muito mais fluidas e naturais do que as registadas em modelos concorrentes. Ao contrário dos sistemas convencionais de som doméstico, o dispositivo será recarregável, portátil e incluirá componentes mecânicos móveis, bem como câmaras e sensores integrados que permitirão à inteligência artificial ler e interpretar o ambiente físico envolvente. Além disso, o equipamento utilizará dados dinâmicos do utilizador, tais como mensagens de correio eletrónico, para acelerar uma personalização contínua e antecipar necessidades de forma proativa.
Esta investida direta no setor de dispositivos de consumo coloca a criadora do ChatGPT numa rota de concorrência direta com marcas historicamente consolidadas nas preferências de consumo e infraestruturas corporativas, designadamente a Apple, a Amazon e a Google. Em resposta direta a esta movimentação, na semana passada, a Apple avançou com uma queixa judicial contra a OpenAI e a io Products, acusando-as de roubo de segredos comerciais que teriam sido alegadamente obtidos através do recrutamento estratégico de mais de 400 antigos quadros da empresa para reforçar a nova unidade de hardware da OpenAI.
A Apple pretende obter uma providência cautelar que poderá travar as vendas do novo equipamento da OpenAI, cuja revelação oficial está prevista pelo fabricante para o final deste ano, apontando o lançamento comercial efetivo para o ano de 2027, dependendo sempre do desfecho deste processo judicial. Do lado da OpenAI, os seus porta-vozes oficiais asseguram que a empresa não possui interesse nos segredos comerciais de marcas concorrentes, focando-se no desenvolvimento de tecnologia inovadora que capacite os utilizadores globais. Simultaneamente, e mantendo a pressão no segmento doméstico, a Apple desenvolve o seu próprio assistente físico focado em inteligência artificial, que contará com um ecrã de sete polegadas e reconhecimento facial integrado no seu ecossistema renovado.







