Os videojogos tornaram-se uma das formas de entretenimento mais marcantes da era digital e, para muitas crianças, representam a sua primeira experiência em comunidades online. Plataformas como o Minecraft e o Roblox transformaram-se em espaços de aprendizagem e criação, onde os jogadores constroem mundos virtuais e partilham experiências. No entanto, esta liberdade criativa também trouxe vulnerabilidades exploradas por cibercriminosos que procuram tirar partido da confiança e curiosidade dos utilizadores.
Casos recentes de malware escondido em ficheiros de mods para Minecraft e Roblox revelam uma tendência crescente de ataques dirigidos a jovens jogadores. Ferramentas aparentemente inofensivas, que prometem melhorias no jogo ou funcionalidades extra, acabam por instalar programas maliciosos nos dispositivos. Os investigadores da ESET — empresa europeia de cibersegurança — alertaram já em 2015 e 2017 para este problema, que continua atual e em expansão.
Um “mod” (abreviação de “modificação”) é uma extensão criada por utilizadores que altera o funcionamento do Minecraft, adicionando novos elementos, texturas ou mecânicas. Este ecossistema colaborativo tornou-se um dos grandes atrativos do jogo, sustentado por plataformas como o Planet Minecraft, o CurseForge ou o Modrinth. Mas, como acontece com qualquer software desenvolvido por terceiros, os mods também podem ser usados como veículos de ataque.
Nos últimos meses, os investigadores identificaram várias campanhas de malware disfarçadas de mods. Em 2025, pelo menos 500 repositórios do GitHub foram usados para distribuir infostealers sob o disfarce de modificações para Minecraft. Noutro caso, atacantes aproveitaram-se de plataformas populares de modding como o Bukkit e o CurseForge para espalhar o infostealer “Fractureiser”. Situações semelhantes foram observadas noutros jogos, como o Hamster Kombat, onde o malware “Lumma Stealer” se fez passar por cheats legítimos.
Os criminosos seguem um padrão recorrente: apresentam o malware como um mod indispensável, disponibilizado em fóruns ou repositórios públicos, que, uma vez instalado, executa tarefas ocultas ou descarrega novas instruções de servidores remotos. Entre as ameaças mais comuns estão trojans, que permitem o controlo remoto do dispositivo; infostealers, que recolhem dados pessoais e credenciais; ransomware, que encripta ficheiros e exige resgate; e cryptominers, que utilizam recursos do computador da vítima para minerar criptomoedas.
Mesmo mods aparentemente seguros podem transformar-se em ameaças, especialmente quando têm atualizações automáticas ou requerem permissões excessivas no sistema. Algumas destas extensões incluem vulnerabilidades conhecidas, como a “BleedingPipe”, que pode ser explorada por cibercriminosos sem o conhecimento do utilizador.
Especialistas de cibersegurança recordam que, embora o modding possa enriquecer a experiência de jogo, é essencial adotar medidas de proteção. Jogar com uma conta sem privilégios de administrador, manter o sistema e o software atualizados e realizar cópias de segurança regulares são práticas fundamentais para mitigar os riscos.
A utilização de software de segurança atualizado continua a ser uma das defesas mais eficazes. Além disso, os jogadores devem evitar descarregar mods de fontes desconhecidas ou não verificadas, por mais atrativas que as funcionalidades prometidas possam parecer.
A modificação de jogos continuará a ser uma parte essencial da cultura digital e da aprendizagem tecnológica entre os mais jovens. Contudo, a segurança deve estar sempre em primeiro lugar. No caso de crianças e adolescentes, é importante que os pais conversem sobre os perigos associados ao descarregamento de ficheiros e à interação com desconhecidos em plataformas online.







