No quotidiano dos decisores tecnológicos, as atualizações de plataformas baseadas em modelos de linguagem surgem quase diariamente. Contudo, nem todas as mudanças de código possuem o mesmo peso conceptual. A mais recente alteração de comportamento no ChatGPT revela como a indústria está a tentar ajustar a linha ténue entre a capacidade computacional e o respeito pela criação humana.
O ChatGPT está agora a recusar pedidos para gerar texto que imite diretamente o estilo de autores famosos. A alteração prática ficou demonstrada quando o meio online Ars Technica testou a plataforma com um pedido para redigir a introdução de uma história no estilo de Stephen King. Em vez de aceder à instrução como fazia anteriormente, o modelo de linguagem passou a oferecer uma alternativa que recorre às qualidades genéricas dos autores, mas mantendo uma voz própria e diferenciada.
Esta mudança de postura não é um mero detalhe técnico na regulação de respostas, constituindo antes um sinal claro de maturidade e de prevenção de riscos jurídicos e reputacionais. Para as empresas que lideram a transformação digital e avaliam a adoção destas ferramentas nos seus processos do dia-a-dia, fica o aviso de que a soberania sobre os conteúdos e a proteção do património criativo estão a moldar, de forma irreversível, as regras do jogo na economia digital.







