Aceleração da IA nas empresas portuguesas enfrenta um teste decisivo

Os CEO em Portugal colocam a inteligência artificial no centro das suas estratégias, mas a falta de talento, a ausência de governação e as dúvidas éticas continuam a travar o ritmo de adoção, segundo o estudo KPMG CEO Outlook 2025.
17 de Novembro, 2025

O mais recente CEO Outlook da KPMG mostra que a inteligência artificial ganhou espaço nas agendas da gestão de topo em Portugal. A maioria dos líderes empresariais considera esta tecnologia um pilar para o crescimento dos negócios e está a reforçar os planos de investimento a curto prazo. Setenta e dois por cento dos CEO colocam a IA como prioridade máxima e quase seis em cada dez pretendem direcionar entre 10 e 20 por cento do orçamento anual para esta área, valores alinhados com as tendências globais.

Apesar deste avanço, o estudo revela que a capacidade de execução dentro das organizações portuguesas permanece limitada. Cerca de 40 por cento dos CEO afirmam sentir confiança na habilidade das suas empresas para implementar a tecnologia de forma eficaz, o que indica que a transição para sistemas inteligentes continua a exigir fases de teste e projetos piloto. A generalidade dos inquiridos associa esta necessidade a uma maturidade operacional ainda em desenvolvimento.

No comentário que acompanha o estudo, a KPMG sublinha que a tecnologia só gera impacto quando assente em dados fiáveis, competências especializadas e modelos de governação claros. A consultora reforça que a adoção responsável será determinante, apontando para a importância de modelos éticos, segurança operacional e enquadramento regulatório que transmitam confiança ao mercado.

As barreiras identificadas refletem esta preocupação. Mais de metade dos líderes referem implicações éticas como principal obstáculo à adoção da IA, seguidas da falta de competências técnicas e de enquadramento regulatório. Estas questões acompanham igualmente a perceção internacional, onde uma parte significativa dos CEO globais indica que a preparação dos dados e a ausência de regras claras condicionam o avanço dos seus planos.

O estudo evidencia ainda a pressão crescente sobre o mercado de trabalho tecnológico. Sete em cada dez CEO em Portugal afirmam já estar a contratar profissionais com competências específicas em IA, enquanto a quase totalidade pretende reforçar as equipas nos próximos três anos. Mesmo com esta dinâmica, mais de metade dos líderes considera que a competição por talento especializado aumentou e oito em cada dez assumem a requalificação das equipas como prioridade estratégica.

Esta evolução confirma que a tecnologia só se traduz em produtividade quando acompanhada por políticas de qualificação contínua. As empresas que consigam alinhar investimento, conhecimento interno e modelos de adoção estruturados terão maior capacidade para transformar inovação em resultados operacionais.

No plano internacional, o estudo mostra uma orientação semelhante. A IA é também identificada como área prioritária para os próximos doze meses, com grande parte das organizações a planear reforçar os orçamentos e a contratação de profissionais especializados. Sessenta e um por cento das empresas a nível global já estão a recrutar talento com competências em IA e tecnologia, sinalizando uma mudança estrutural nas prioridades de gestão.