Agentes de IA: o novo trunfo das marcas de bens de consumo para enfrentar margens apertadas e consumidores voláteis

A Salesforce divulgou alguns dados sobre a relação dos consumidores com as marcas de bens de consumo, apresentando casos concretos onde os agentes de Inteligência Artificial (IA) podem ajudar.
24 de Abril, 2025

Num mercado onde as margens se estreitam e os consumidores trocam fidelidade por preços mais baixos, as marcas de bens de consumo enfrentam uma encruzilhada. As perturbações nas cadeias de abastecimento, a incerteza económica global e os desafios na retenção de talento estão a reescrever as regras do jogo. Segundo a Salesforce, 85% dos consumidores já substituem produtos por alternativas mais económicas. Perante este novo paradigma, as empresas voltam-se para a Inteligência Artificial (IA) não apenas como ferramenta de apoio, mas como elemento central das suas estratégias operacionais e comerciais.

A IA generativa, em particular, está a conquistar terreno. A tecnológica norte-americana revela que 32% dos executivos do setor já a implementaram de forma plena, com outros 34% em fase de expansão. E não se trata de robôs futuristas, mas de agentes de IA capazes de executar tarefas de forma autónoma, respondendo a perguntas, recomendando produtos ou resolvendo problemas com base em machine learning, processamento de linguagem natural e tecnologias como retrieval-augmented generation (RAG).

No centro desta revolução está o Agentforce for Consumer Goods, a plataforma da Salesforce que permite criar e implementar agentes inteligentes através de uma biblioteca de competências pré-criadas, integradas com dados críticos e recursos cloud específicos do setor. O impacto é imediato: segundo os dados da empresa, as equipas gastam até 41% do seu tempo em tarefas repetitivas e de baixo valor. Ao libertar esse tempo, a IA permite redirecionar esforços para ações de maior impacto estratégico – aquelas que realmente impulsionam as vendas e fidelizam os clientes.

1. Vendas mais ágeis e informadas

Numa era em que os profissionais de vendas lidam com volumes colossais de informação dispersa, os agentes de IA tornam-se parceiros cruciais. O Agentforce automatiza a análise de contas e tarefas como o contacto com leads, a gestão de objeções ou o agendamento de reuniões com base em dados internos e externos. O resultado? Ciclos de venda mais curtos e decisores melhor preparados.

2. Gestão de contas com precisão e escala

O relacionamento com grandes clientes exige personalização e rapidez de resposta – um desafio onde os agentes de IA estão a provar o seu valor. Ao ingerir grandes volumes de dados, estes sistemas conseguem monitorizar contas em tempo real, prever necessidades, fazer recomendações e agir de forma proativa. Além disso, mantêm os representantes atualizados sobre níveis de stock e tendências de consumo, fornecendo análises preditivas que melhoram a negociação e aumentam as oportunidades de upsell.

3. Serviços de campo com menos fricção

O tempo é um ativo escasso para as equipas no terreno. Aqui, os agentes de IA assumem funções administrativas, como o agendamento de visitas, o fornecimento de briefings antes dos encontros com clientes e a elaboração de relatórios pós-visita. Ao automatizar estas tarefas, os profissionais ganham mais tempo para criar relações e fechar negócios.

4. Atendimento ao cliente que nunca dorme

É na linha da frente do serviço ao cliente que a IA revela, talvez, o seu maior potencial. Cerca de 43% das marcas de consumo já identificam esta área como prioritária para a adoção de IA generativa. Com agentes a operar 24 horas por dia, os consumidores recebem respostas instantâneas e personalizadas, com tempo de espera reduzido e taxas de resolução mais elevadas. A satisfação aumenta, a reputação da marca fortalece-se e os custos operacionais descem.

Num ambiente onde cada ponto percentual de margem conta, a IA emerge como uma alavanca crítica para a competitividade das empresas de bens de consumo. Mais do que automatizar tarefas, os agentes inteligentes estão a reconfigurar a forma como as marcas se relacionam com os clientes e otimizam os seus recursos.

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