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A entrada em vigor do AI Act está a mudar a forma como as empresas europeias olham para a inteligência artificial. No mais recente episódio do podcast “BI em 30 minutos”, da APBI, Ricardo Santos, Pedro Assude, João Miguel Mesquita e o jurista Pedro Vale Gonçalves discutiram o impacto da nova regulação nos sistemas de dados e na estratégia tecnológica das organizações.
O AIAct não se limita às grandes tecnológicas. Aplica-se também a qualquer empresa que utilize sistemas de IA em áreas como recrutamento, análise de crédito, operações, atendimento ou apoio à decisão.
Segundo Pedro Vale Gonçalves, o regulamento europeu baseia-se numa lógica de risco. Quanto maior o impacto potencial do sistema sobre pessoas, serviços críticos ou direitos, maior será a exigência em termos de controlo, supervisão e transparência.
Na prática, isso obriga as empresas a conhecer melhor os seus próprios sistemas, os fluxos de informação e a forma como os dados alimentam algoritmos e modelos.
A conversa sublinhou que a governação de dados continua a ser a base de qualquer estratégia de IA. Sem dados organizados, rastreáveis e com qualidade, a tecnologia apenas automatiza problemas já existentes, incluindo enviesamentos e decisões pouco fiáveis.
Antes da IA, é preciso definir o problema
Um dos principais alertas do debate foi dirigido à adoção impulsiva de tecnologia.
Antes de investir em IA, a organização deve responder a uma pergunta simples: que problema de negócio quer resolver?
Sem esse exercício, o risco é transformar a IA numa moda interna, com projetos que acrescentam complexidade mas pouco valor real. O primeiro passo recomendado é fazer um inventário de processos, sistemas e casos de uso onde a IA possa efetivamente melhorar eficiência, previsão ou qualidade da decisão.
O AIAct aplica-se igualmente às PME, embora a resposta não tenha de ser pesada nem burocrática.
A recomendação deixada no podcast foi pragmática: evitar checklists, templates e documentação ornamental. Em vez disso, as pequenas e médias empresas devem aproveitar a proximidade à operação para mapear rapidamente processos, identificar riscos e perceber onde a IA pode gerar retorno real.
O fecho do debate deixou uma ideia forte para decisores de compras tecnológicas: o AI Act pode funcionar como um fator de diferenciação.
Empresas que adotem uma lógica de compliance by design, incorporando risco, supervisão e qualidade de dados desde o desenho dos sistemas, estarão mais preparadas para inovar com confiança.
Mais do que uma obrigação regulatória, o AI Act está a tornar-se um teste à maturidade digital das organizações. E, para muitas empresas, essa maturidade poderá ser a verdadeira vantagem competitiva na próxima vaga de investimento em IA.

