As esperanças de fusão no setor móvel francês foram travadas pela decisão da Altice France de recusar uma proposta não vinculativa apresentada pela Bouygues Telecom, Free-iliad Group e Orange. Segundo informações divulgadas pelo Financial Times, comunicações internas da empresa indicam que o fundador e proprietário, Patrick Drahi, descartou o interesse de venda de determinados ativos incluídos na oferta.
O presidente executivo da Altice France, Arthur Dreyfuss, comunicou internamente a decisão aos colaboradores, sem adiantar pormenores sobre o conteúdo da proposta. Fontes do governo francês já haviam sinalizado que qualquer movimento de consolidação seria objeto de um escrutínio rigoroso, especialmente após a recente nomeação de Roland Lescure como ministro da Economia, Finanças e Soberania Industrial e Digital.
O ministro manifestou reservas quanto à possibilidade de redução do número de operadores móveis de quatro para três, alertando que tal cenário poderia traduzir-se em um aumento dos preços para os consumidores finais.
Por sua vez, os operadores Orange, Bouygues Telecom e Free-iliad defenderam que a operação teria benefícios para os utilizadores, nomeadamente através do reforço do investimento em redes, bem como da proteção e desenvolvimento do setor das telecomunicações em França.
De acordo com a proposta apresentada, os ativos da Altice envolvidos na operação foram avaliados em cerca de 17 mil milhões de euros, num total estimado de 21 mil milhões para o conjunto do grupo no país. Após a recusa, a Orange confirmou publicamente o fim da tentativa, reconhecendo a decisão da Altice France em não prosseguir com as negociações.
Com a rejeição da oferta, o mercado francês mantém-se fragmentado e competitivo, num contexto de forte pressão sobre margens e investimento em infraestruturas.







