Altice France rejeita proposta conjunta de aquisição dos principais operadores móveis franceses

O mercado francês de telecomunicações viu esfumar-se, pelo menos por agora, a possibilidade de consolidação, após a Altice France ter rejeitado uma proposta não vinculativa apresentada pelos seus três principais concorrentes.
15 de Outubro, 2025

As esperanças de fusão no setor móvel francês foram travadas pela decisão da Altice France de recusar uma proposta não vinculativa apresentada pela Bouygues Telecom, Free-iliad Group e Orange. Segundo informações divulgadas pelo Financial Times, comunicações internas da empresa indicam que o fundador e proprietário, Patrick Drahi, descartou o interesse de venda de determinados ativos incluídos na oferta.

O presidente executivo da Altice France, Arthur Dreyfuss, comunicou internamente a decisão aos colaboradores, sem adiantar pormenores sobre o conteúdo da proposta. Fontes do governo francês já haviam sinalizado que qualquer movimento de consolidação seria objeto de um escrutínio rigoroso, especialmente após a recente nomeação de Roland Lescure como ministro da Economia, Finanças e Soberania Industrial e Digital.

O ministro manifestou reservas quanto à possibilidade de redução do número de operadores móveis de quatro para três, alertando que tal cenário poderia traduzir-se em um aumento dos preços para os consumidores finais.

Por sua vez, os operadores Orange, Bouygues Telecom e Free-iliad defenderam que a operação teria benefícios para os utilizadores, nomeadamente através do reforço do investimento em redes, bem como da proteção e desenvolvimento do setor das telecomunicações em França.

De acordo com a proposta apresentada, os ativos da Altice envolvidos na operação foram avaliados em cerca de 17 mil milhões de euros, num total estimado de 21 mil milhões para o conjunto do grupo no país. Após a recusa, a Orange confirmou publicamente o fim da tentativa, reconhecendo a decisão da Altice France em não prosseguir com as negociações.

Com a rejeição da oferta, o mercado francês mantém-se fragmentado e competitivo, num contexto de forte pressão sobre margens e investimento em infraestruturas.

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