O histórico da Amazon no mercado dos smartphones é curto e marcado por um fracasso significativo. O Fire Phone, lançado sob supervisão direta de Jeff Bezos, teve uma vida comercial de pouco mais de um ano e acabou por se tornar um dos casos mais conhecidos de insucesso da empresa no segmento de hardware. Ainda assim, a ambição de controlar um ponto central de interação com o utilizador nunca desapareceu.
A empresa está agora a desenvolver um novo dispositivo móvel, conhecido internamente como “Transformer”, integrado na unidade de dispositivos e serviços. De acordo com fontes próximas do projeto, citados pela Reuters, trata-se de uma tentativa de reposicionar o smartphone como um ponto de contacto contínuo entre o utilizador e o ecossistema Amazon ao longo do dia.
O fundador da Amazon, Jeff Bezos já tinha defendido, no passado, a criação de um dispositivo móvel onde a experiência de compra fosse central, reforçada por vantagens logísticas e comerciais associadas ao programa Prime. Esse modelo permitiria à empresa recolher dados adicionais sobre os utilizadores, combinando comportamento móvel com histórico de consumo e preferências de conteúdos.
O novo projeto pretende aprofundar essa visão, introduzindo capacidades de personalização e integração direta com serviços como compras online, Prime Video, Prime Music e encomenda de refeições através de parceiros. A proposta passa por simplificar a interação, reduzindo o número de passos necessários para aceder a estes serviços.
Um dos elementos centrais desta nova abordagem é a inteligência artificial. A integração de funcionalidades de IA poderá permitir dispensar, em parte, o modelo tradicional baseado em aplicações, eliminando a necessidade de downloads e registos individuais. A interação passaria a ser mais direta, potencialmente mediada por comandos de voz e automação de tarefas.
Neste contexto, a assistente Alexa deverá desempenhar um papel relevante, ainda que não esteja confirmado se será o sistema operativo principal do dispositivo. A intenção parece ser aproximar a experiência móvel daquilo que a Amazon já oferece nos dispositivos domésticos com controlo por voz.
Esta aposta da gigante norte americana surge num momento em que vários projetos de hardware com inteligência artificial integrada têm enfrentado dificuldades.
O facto é que mesmo com alguns insucessos o investimento em novos formatos de dispositivos com IA continua a crescer, e empresas como OpenAI, Apple, Google e Meta, tem projetos que vão desde smartphones a óculos inteligentes e wearables. Este contexto aumenta a pressão competitiva e eleva as expectativas em torno de qualquer novo lançamento.
Para a Amazon, este desafio é maior, tendo em conta que tem de recuperar credibilidade no segmento de hardware móvel, e simultaneamente demonstrar capacidade de execução num momento em que tem sido percecionada como mais lenta na disponibilização de aplicações de inteligência artificial, sobretudo quando comparada com concorrentes diretos.
Segundo a Reuters, o calendário do projeto Transformer permanece incerto e o desenvolvimento poderá ainda ser interrompido, dependendo de fatores estratégicos ou financeiros. Também não são conhecidos quaisquer detalhes modelo de negócio ou investimento associado.







