Este estudo entrevistou 3.200 líderes seniores em diversas indústrias e regiões, revela tendências significativas no que diz respeito à segurança, modernização de TI, retorno sobre o investimento (ROI) em IA e desenvolvimento de talentos.
Um dos pontos mais marcantes do relatório é a ênfase contínua na segurança cibernética e na conformidade regulatória como prioridades absolutas. Com 65% dos executivos expressando preocupações com ciberataques e apenas 30% sentindo-se preparados para gerenciar esses riscos, a segurança emerge como um desafio premente. A rápida evolução do panorama regulatório também é motivo de inquietação para 48% dos líderes, enquanto 66% acreditam que a regulação traz efeitos positivos, sinalizando a necessidade de equilibrar a inovação com a conformidade.
Além disso, as preocupações com riscos climáticos e ambientais, mencionadas por 59% dos executivos, evidenciam a crescente pressão sobre as empresas para se adaptarem a novos padrões de sustentabilidade e resiliência.
A infraestrutura de TI desatualizada surge como um dos maiores obstáculos para as empresas que buscam modernizar os seus sistemas e se preparar para riscos futuros. O relatório destaca que 44% das infraestruturas de TI críticas estão se aproximando do fim da sua vida útil, expondo as organizações a vulnerabilidades e atrasando projetos de modernização. A preocupação com a tecnologia ultrapassada é compartilhada por 64% dos CEO, refletindo o impacto direto da dívida técnica nas operações e nos custos empresariais.
Neste contexto, a Kyndryl recomenda uma abordagem proativa para lidar com a dívida técnica. A eliminação das ineficiências operacionais associadas a sistemas legados não apenas reduz custos, mas também libera potencial para crescimento e inovação, principalmente por meio da adoção de automação para aumentar a eficiência.
O investimento em inteligência artificial e machine learning é uma tendência clara, com 76% das empresas alocando recursos para essas tecnologias. No entanto, apenas 42% relatam um retorno positivo sobre esses investimentos. Os principais entraves identificados incluem preocupações com a privacidade dos dados (31%), ROI incerto (30%) e desafios regulatórios (26%).
Esses dados revelam que, embora a IA tenha potencial para revolucionar a operação empresarial, a sua implementação enfrenta barreiras consideráveis. Para maximizar o retorno, as organizações precisam investir não apenas em tecnologia, mas também em capacitação de pessoal, garantindo que a equipe tenha as habilidades necessárias para operar e melhorar as ferramentas baseadas em IA.
O desenvolvimento de talentos qualificados é destacado como essencial para a preparação e resiliência das empresas. A lacuna de competências tecnológicas, que afeta mais de 40% das organizações, está a travar o progresso na modernização das TI. Nesse sentido, o relatório sugere que os líderes empresariais priorizem o desenvolvimento de habilidades em áreas críticas, como cibersegurança e inteligência artificial.
A colaboração entre líderes de tecnologia (CIO e CTO) e executivos de alto escalão (C-suite) é apontada como um fator-chave para o sucesso na transformação digital. Empresas que promovem uma integração mais profunda entre as estratégias de negócios e TI tendem a obter melhores resultados, tanto em termos de inovação quanto de eficiência operacional.
Apesar das dificuldades, as empresas que investem na modernização das TI estão colhendo benefícios tangíveis. O relatório aponta que, nos últimos 12 meses, 85% dos líderes observaram ganhos em eficiência, 71% em inovação e 60% em melhor experiência para funcionários e clientes. Entretanto, os impactos na segurança de dados, conformidade regulatória e sustentabilidade ainda são limitados, indicando áreas onde há espaço para melhorias adicionais.
A automação é uma área com grande potencial de crescimento. Atualmente, apenas 8% dos problemas de TI são resolvidos de forma autónoma sem intervenção humana, mas o uso mais amplo de automação poderia elevar esse número para até 30%, proporcionando economias significativas.
Equilíbrio entre investimentos imediatos e de longo prazo
Para justificar os investimentos na modernização de TI, os executivos precisam considerar não apenas os benefícios imediatos, mas também o alinhamento das novas tecnologias com a cultura organizacional e os objetivos estratégicos. Isso significa equilibrar a implementação de novas ferramentas com a necessidade de atualizar e substituir tecnologias obsoletas.
Investir primeiro na modernização da base de infraestrutura pode proporcionar um ROI mais elevado a longo prazo, ao facilitar a integração de novas tecnologias, como a IA, em processos críticos de negócios.
Um Roteiro para a preparação no cenário digital
O relatório da Kyndryl oferece um roteiro para que as empresas enfrentem os “ângulos mortos” e os compromissos difíceis em suas jornadas de modernização. A preparação contínua envolve capacitar as pessoas, alinhar tecnologias com a cultura organizacional e adotar uma abordagem holística para a transformação digital.
No cenário digital atual ser “People-Ready” é tão importante quanto ser “Tech-Ready”. As organizações que dão prioridade ao desenvolvimento de talentos e a modernização das suas TI estão mais bem posicionadas para gerenciar riscos e aproveitar oportunidades, estabelecendo-se como líderes em um mercado altamente competitivo e em rápida evolução.

