A Apple e a Intel terão chegado a um entendimento preliminar para que a fabricante de processadores passe a produzir parte dos chips utilizados nos dispositivos da empresa liderada por Tim Cook. A informação foi avançada pelo The Wall Street Journal, que refere que as negociações decorreram durante mais de um ano, em reuniões privadas entre as duas empresas.
O eventual acordo representa uma mudança relevante na estratégia de fornecimento da Apple, que depende atualmente quase em exclusivo da TSMC para fabricar os seus chips personalizados. A empresa taiwanesa produz praticamente todos os semicondutores presentes nos iPhone, iPad, Mac e Apple Watch.
A aproximação à Intel poderá permitir à Apple reduzir o risco associado à concentração da produção num único fornecedor. A fabricante norte-americana tem vindo a procurar alternativas numa fase em que os semicondutores continuam a ser considerados um ativo crítico para a indústria tecnológica.
A semana passada, a Bloomberg revelou também que a Apple manteve contactos preliminares com a Samsung para avaliar a utilização das suas capacidades de produção de chips. Segundo a publicação, executivos da Apple visitaram a nova fábrica que a empresa sul-coreana está a desenvolver no Texas, destinada à produção de semicondutores avançados.
A abertura simultânea de conversações com Intel e Samsung indica que a Apple está a explorar várias opções para diversificar a cadeia de abastecimento dos componentes mais estratégicos dos seus equipamentos.
Para a Intel, garantir a Apple como cliente representaria um ganho significativo de credibilidade no mercado de produção de chips para terceiros, uma área onde a empresa procura reforçar presença depois de vários anos de perda de influência face à concorrência asiática.
Sob a liderança do novo CEO, Lip Bu Tan, a Intel está a acelerar o reposicionamento da sua divisão de fabrico de semicondutores. A empresa pretende tornar-se num concorrente relevante no mercado das foundries, segmento dominado por fabricantes especializados que produzem chips desenhados por outras empresas.
A tentativa de captar clientes de grande dimensão faz parte da estratégia da Intel para revitalizar o negócio industrial e recuperar relevância num setor em rápida expansão devido à procura associada à inteligência artificial.
Em abril, a Intel anunciou também a intenção de integrar o projeto Terafab AI, promovido por Elon Musk, para desenvolver processadores destinados a centros de dados orbitais e robots humanoides.







