Apple e Google reforçam alertas globais sobre possíveis ataques de vigilância – com a Angola na lista

Apple e Google enviaram novas notificações de ameaça a utilizadores em vários países, num movimento que volta a expor a atividade de grupos ligados a ciberespionagem e o impacto destes alertas na resposta institucional.
6 de Dezembro, 2025

A Apple comunicou que enviou uma nova ronda de avisos de segurança a utilizadores em 2 de dezembro, numa iniciativa que, segundo a empresa, já abrangeu mais de 150 países. A tecnológica confirmou a emissão destes alertas, embora não tenha detalhado o número de pessoas envolvidas nem a origem da alegada atividade de vigilância. Estes avisos são dirigidos a utilizadores que podem ter sido alvo de tentativas de intrusão associadas a operações de hackers patrocinadas por estados, prática que tanto a Apple como a Google referem monitorizar de forma contínua.

No dia seguinte, a Google divulgou que tinha começado a alertar todas as contas identificadas como alvo do spyware Intellexa. A empresa indicou que centenas de utilizadores em países como Paquistão, Cazaquistão, Angola, Egito, Uzbequistão, Arábia Saudita e Tadjiquistão foram sinalizados. A Google descreveu ainda que a Intellexa, uma empresa de inteligência cibernética sujeita a sanções dos Estados Unidos, continua a operar apesar das restrições. Os responsáveis associados à Intellexa não responderam aos pedidos de comentário.

Estas notificações tornaram-se frequentes nos últimos anos e já motivaram ações por parte de entidades reguladoras. Alertas anteriores levaram a investigações de organismos públicos, incluindo da União Europeia, cujos representantes chegaram a ser alvo de software de vigilância. Para especialistas, esta prática tem impacto não só na proteção imediata dos utilizadores, mas também no escrutínio sobre o setor.

John Scott-Railton investigador do Citizen Lab, em declarações a Reuters, sublinha que avisos como estes colocam pressão adicional sobre grupos de ciberespionagem, ao comprometer a eficácia das operações. O investigador considera que estas notificações costumam ser o ponto de partida para apurações que podem resultar em responsabilização.

Com informação Reuters

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