Apple reduz comissão para mini apps e abre nova frente de receitas

Gigante tecnológica lança programa para apps leves baseadas na web, com comissões mais baixas e novo modelo de distribuição integrada no ecossistema iOS.
14 de Novembro, 2025

A Apple anunciou o lançamento de um novo programa destinado a criadores de mini apps, através do qual passará a cobrar uma comissão de 15% nas compras integradas, metade da taxa habitual, ao mesmo tempo que procura abrir uma nova frente de receitas com este formato de aplicações leves.

O Mini Apps Partner Program é uma iniciativa criada para permitir que os programadores disponibilizem mini aplicações e jogos baseados na web dentro de apps nativas para iOS ou iPadOS. As mini apps em causa utilizam tecnologias web standard como HTML5, CSS3 e JavaScript, e são distribuídas através de uma aplicação anfitriã presente na App Store.

Para aderirem ao programa, os mini apps ou jogos não podem ser desenvolvidos por entidades controladas, direta ou indiretamente, pelo programador de uma aplicação dominante. Esta regra tem como objetivo evitar práticas monopolistas e promover a diversificação da oferta de aplicações no ecossistema da Apple.

De acordo com a empresa, o novo esquema pretende aumentar o alcance dos programadores, permitir experiências de utilização mais dinâmicas e oferecer a flexibilidade dos conteúdos web com os benefícios da distribuição por via de apps nativas.

As compras integradas (in-app purchases) elegíveis têm obrigatoriamente de utilizar o sistema de pagamentos da Apple, e as receitas geradas são partilhadas entre o programador, o proprietário da app anfitriã e a própria Apple. Tanto os programadores como as apps anfitriãs devem estar registados e publicados na App Store através do Apple Developer Program.

A Bloomberg avançou que a Apple terá celebrado recentemente um acordo com a Tencent, detentora da plataforma WeChat, para aplicar a comissão reduzida de 15% nas compras feitas em mini apps e mini jogos da aplicação chinesa. A Tencent é considerada uma das empresas mais bem-sucedidas na utilização deste modelo de mini apps, especialmente no mercado asiático.

Este novo programa surge num contexto em que a Apple tem sido alvo de críticas e escrutínio na União Europeia relativamente às políticas da App Store. Os reguladores europeus têm apontado dificuldades impostas aos programadores para recorrerem a sistemas de pagamento alternativos ao da Apple.

Em junho, a Apple anunciou alterações às suas regras de funcionamento da App Store, no sentido de se adaptar às exigências do Regulamento dos Mercados Digitais (DMA) da UE, que visa garantir maior concorrência e liberdade de escolha para os consumidores e programadores.