O conceito bleisure, que funde as palavras business e leisure, traduz-se na extensão de viagens de trabalho para integrarem experiências pessoais. O VDR Business Travel Report 2024 revela que 69% das empresas já permitem esta prática, enquanto 19% planeiam introduzi-la. O interesse por este modelo não é surpreendente: um estudo da SAP Concur já indicava, em 2021, que 52% dos viajantes alemães em negócios gostariam de prolongar as suas deslocações para incluir férias.
Em Portugal, a realidade não é diferente. A crescente flexibilidade laboral e a digitalização dos processos têm levado um maior número de profissionais a repensar a gestão do seu tempo, tornando o bleisure uma opção cada vez mais viável.
Os motores do bleisure: produtividade e bem-estar
A motivação por trás desta tendência varia. Segundo a Associação Alemã de Viagens (DRV), 44% dos viajantes pretendem explorar novos destinos, enquanto 34% veem no bleisure uma forma de recuperar energias após reuniões exigentes. Para as empresas, esta abordagem pode significar equipas mais satisfeitas, maior motivação e um reforço na retenção de talento.
O impacto positivo não se esgota na esfera individual. A imagem corporativa também sai beneficiada: companhias que promovem modelos flexíveis são frequentemente vistas como inovadoras e alinhadas com as dinâmicas do trabalho moderno.
Como otimizar as viagens bleisure?
Para que a combinação entre negócios e lazer seja bem-sucedida, alguns fatores devem ser considerados:
- Definição clara do tempo – A transição entre compromissos profissionais e momentos pessoais deve ser transparente. Acordar préviamente com gestores e equipas quando termina a agenda de trabalho é essencial para evitar conflitos.
- Escolha do destino e timing – Eventos fixos, como conferências e feiras, são ideais para estender estadias, sobretudo em períodos de climas favoráveis, como a primavera.
- Alojamento adequado – 82% dos viajantes bleisure optam por permanecer no mesmo hotel durante toda a estadia, segundo a Global Business Travel Association (GBTA). Hotéis centrais que conciliam comodidade para reuniões e acesso a atividades de lazer são a opção ideal.
- Gestão eficiente das despesas – A distinção entre custos profissionais e pessoais deve ser rigorosa. Segundo a DRV, 53% das empresas já cobrem custos de deslocação para estadias prolongadas, permitindo chegadas antecipadas ou partidas tardias. Ferramentas digitais de gestão financeira podem ser útis para garantir transparência e conformidade fiscal.
Uma oportunidade a não perder
Com a aproximação do prazo limite para usufruir de férias em atraso, profissionais e empresas têm uma janela de oportunidade para aderir à tendência bleisure. A possibilidade de prolongar viagens de trabalho com momentos de lazer pode ser um catalisador de bem-estar e produtividade, beneficiando tanto os colaboradores como as organizações.
Flexibilizar as viagens de negócios pode ser um diferencial competitivo. Afinal, colaboradores satisfeitos viajam mais e melhor – e as empresas só têm a ganhar com isso.







