Ataque à Instructure expõe dados ligados à plataforma Canvas

Um ataque informático à Instructure, empresa responsável pela plataforma Canvas, afetou cerca de 275 milhões de utilizadores associados a quase 9 mil organizações. O incidente volta a colocar sob pressão os fornecedores de plataformas cloud que concentram grandes volumes de informação pessoal e operacional.
10 de Maio, 2026

A Instructure, empresa que opera a plataforma Canvas, foi alvo de um ataque informático reivindicado pelo grupo ShinyHunters. Segundo informações divulgadas pelo site Ransomware.live, o incidente afetou aproximadamente 275 milhões de utilizadores, incluindo estudantes, professores e funcionários ligados a cerca de 9 mil organizações.

Antes do ataque se tornar público, a empresa já tinha recebido mensagens de ameaça. Numa das comunicações divulgadas pelo Ransomware.live, os atacantes alertavam a Instructure para a necessidade de contacto até 6 de maio, ameaçando divulgar informação obtida e provocar “problemas digitais” adicionais caso não existisse resposta.

Ainda não é conhecido o tipo exato de dados comprometidos. O grupo ShinyHunters é conhecido por operações centradas no roubo de informação seguido de tentativas de extorsão financeira, através da ameaça de divulgação pública dos dados obtidos.

A Instructure afirmou que os atacantes conseguiram aceder aos sistemas através de uma vulnerabilidade relacionada com contas “Free-For-Teacher”. Segundo especialistas citados no caso, este tipo de contas gratuitas ou de teste é frequentemente utilizado como ponto de entrada para ataques mais amplos às infraestruturas das empresas.

O ataque provocou interrupções na plataforma Canvas numa fase de elevada utilização. A plataforma é utilizada para gestão de avaliações, trabalhos e conteúdos académicos, com atividade mais elevada nos Estados Unidos, o que levou algumas organizações a recomendar maior flexibilidade nos prazos de entrega e exames finais.

Segundo o site Dark Web Informer, a Instructure terá sido removida da lista pública de alvos do grupo ShinyHunters, uma situação que pode indicar a existência de negociações entre as partes.

O caso volta a evidenciar os riscos associados à concentração de informação em plataformas tecnológicas utilizadas em larga escala. Em vez de ataques isolados a organizações individuais, grupos de cibercrime têm vindo a privilegiar fornecedores centrais capazes de garantir acesso simultâneo a milhões de registos.

O grupo ShinyHunters já foi associado a ataques contra várias empresas internacionais, incluindo Ticketmaster, Cisco Systems, Ikea, Adidas, Zara, Panera Bread e McDonalds, bem como organizações do setor da educação.

Segundo o “The Washington Post”, este incidente surge também depois de outras violações de segurança envolvendo plataformas tecnológicas utilizadas em contexto académico nos Estados Unidos

É por de mais evidente o aumento do risco de campanhas de phishing, sobretudo quando os atacantes conseguem aceder a informação real sobre utilizadores, contactos e atividades associadas às plataformas comprometidas. O recurso crescente a ferramentas de inteligência artificial está igualmente a aumentar o grau de sofisticação destas tentativas de fraude.

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