Banca portuguesa enfrenta pressão crescente para adaptar compliance à era da inteligência artificial

Responsáveis de bancos, seguradoras e reguladores reuniram-se em Lisboa para discutir o impacto da inteligência artificial na gestão de risco e na conformidade, num momento marcado pela entrada em vigor do AI Act europeu e pelo aumento da complexidade regulatória no setor financeiro.
17 de Abril, 2026

O setor financeiro em Portugal está a entrar numa nova fase de transformação, impulsionada pela rápida adoção da inteligência artificial e pela crescente exigência regulatória a nível europeu. Este foi o pano de fundo de um encontro que reuniu, em Lisboa, representantes da banca, seguros e entidades reguladoras para debater os desafios associados à gestão de risco e à conformidade.

A iniciativa, coorganizada pela Zango AI, teve lugar na residência oficial da embaixadora do Reino Unido em Portugal e contou com a presença de instituições como a CMVM e a APB, bem como de bancos como a Caixa Geral de Depósitos, o Millennium bcp e o Banco BPI, e seguradoras como a Fidelidade e a Aegon Santander.

O encontro refletiu a crescente urgência na adaptação das instituições financeiras aos novos enquadramentos regulatórios europeus, em particular com a entrada em vigor do AI Act. Este novo quadro legal vem reforçar as exigências sobre a utilização de sistemas de inteligência artificial em atividades reguladas, obrigando as organizações a rever processos e modelos de controlo.

A pressão sobre as equipas de compliance tem vindo a aumentar, não apenas pelo volume de novas regras, mas também pela complexidade operacional associada à sua implementação. Neste contexto, uma das questões centrais do debate foi a capacidade dos modelos tradicionais de controlo, como o das três linhas de defesa, para responder ao impacto da inteligência artificial.

Os participantes reconheceram que os modelos tradicionais de controlo começam a revelar limitações perante a velocidade de adoção de novas tecnologias. À medida que a inteligência artificial é integrada nas operações, as equipas mais próximas da tecnologia avançam a um ritmo superior ao das funções de supervisão, criando um desfasamento que pode comprometer a gestão de risco.

Segundo os responsáveis da Zango AI, esta diferença de ritmo entre inovação tecnológica e capacidade de supervisão está a tornar-se um dos principais desafios para o setor. A empresa procura posicionar-se precisamente nesta lacuna, desenvolvendo infraestrutura que permita às equipas de compliance acompanhar a implementação de sistemas de inteligência artificial dentro das organizações.

Outro dos pontos de consenso foi a importância de manter a supervisão humana como elemento central num ambiente cada vez mais automatizado.

A crescente complexidade das decisões automatizadas exige maior transparência, responsabilidade e controlo humano nos processos de decisão. A inteligência artificial, embora eficiente, não é neutra nos seus efeitos e influencia a forma como as decisões são tomadas e interpretadas, o que reforça a necessidade de integrar princípios éticos desde a fase inicial da sua implementação.

O debate destacou ainda a necessidade de reforçar a colaboração entre reguladores, instituições financeiras e empresas tecnológicas. O setor está a transitar de uma fase de experimentação para uma transformação estrutural, exigindo maior coordenação entre todos os intervenientes.

Neste contexto, Portugal surge como um mercado com condições particulares para acompanhar esta evolução. A proximidade entre reguladores e instituições financeiras, aliada à disponibilidade de talento qualificado, foi apontada como um fator diferenciador.

Os participantes consideram que Portugal pode desempenhar um papel relevante na adaptação do setor financeiro à inteligência artificial, beneficiando de um ecossistema mais ágil e colaborativo. Ainda assim, sublinham que a tecnologia, por si só, não é suficiente, sendo necessário garantir confiança nos processos e nas equipas que os desenvolvem.

O encontro em Lisboa integra um esforço mais amplo da Zango AI no domínio da governação da inteligência artificial no setor financeiro, que inclui investigação desenvolvida em colaboração com universidades internacionais e entidades reguladoras, numa tentativa de antecipar os impactos desta transformação e apoiar as organizações na sua adaptação.

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