A Black Friday, que começou por ser apenas um dia de descontos em lojas físicas, transformou-se numa temporada de um mês repleta de promoções, abrangendo lojas físicas e plataformas digitais. Em Portugal, o evento continua a ganhar força, com os consumidores a planear um aumento expressivo nos gastos, enquanto procuram maximizar as oportunidades de desconto. Segundo o estudo do Observador Cetelem, o consumidor português prevê despender, em média, 179 euros este ano – um aumento de 37% face a 2023, em que a média foi de 131 euros.
Este ano, 57% dos portugueses afirmam estar prontos para aproveitar as promoções da Black Friday, sendo os jovens entre os 18 e os 24 anos o grupo mais ativo, com 79% a planearem fazer compras. Lisboa destaca-se, com os consumidores da capital a pretenderem gastar uma média de 213 euros. Os dados indicam ainda que os consumidores mais velhos, entre os 55 e os 74 anos, estão a planear um gasto médio superior a 200 euros, superando a média nacional e demonstrando uma tendência crescente entre este grupo para aproveitar as campanhas de desconto.
Aproximadamente um terço dos consumidores (32%) planeia antecipar as compras de Natal durante a Black Friday, evidenciando uma estratégia de economia face ao aumento dos preços. Para além dos presentes, 26% dos inquiridos afirmam que vão realizar compras para si próprios ou para outros fins que não sejam relacionados com a época natalícia – um aumento de 7 pontos percentuais face ao ano anterior. Esta antecipação revela uma mudança nos hábitos de consumo, em que cada vez mais portugueses utilizam o período de descontos para gerir melhor os seus orçamentos.
As preferências dos consumidores durante a Black Friday mantêm-se diversificadas. O vestuário e os acessórios de moda são as categorias mais procuradas, atraindo o interesse de 54% dos inquiridos. A categoria de beleza e cuidados pessoais segue-se, com 34% de preferência, enquanto as telecomunicações e informática registam um interesse de 30%, representando um crescimento de 9 pontos percentuais. Os eletrodomésticos, com 28%, também se destacam sinalizando uma procura crescente por bens duradouros. Esta distribuição reflete uma procura variada, em que os consumidores combinam compras de moda, tecnologia e bem-estar, adaptando os seus gastos às prioridades pessoais e familiares.
Este estudo revela também uma divisão equilibrada entre o uso de lojas físicas e plataformas online, com 45% dos consumidores a planearem usar ambas as modalidades para as suas compras. Esta combinação de conveniência e experiência reflete a versatilidade dos consumidores portugueses, que valorizam tanto o acesso imediato da compra online quanto a possibilidade de ver e testar os produtos nas lojas físicas. Os consumidores entre os 65 e 74 anos destacam-se pela forte preferência por lojas físicas (90%), enquanto a faixa etária dos 25 aos 34 anos opta maioritariamente pelo online (84%).
Para o setor do retalho, as tendências desta Black Friday sugerem um momento importante para capitalizar o aumento de gastos e a diversidade de interesses dos consumidores. Com uma adesão significativa tanto em lojas físicas quanto em plataformas digitais, as marcas e os retalhistas terão de responder à procura com uma oferta variada e uma experiência integrada que combine o digital e o físico.
A antecipação de compras de Natal e a gestão cuidadosa do orçamento demonstram também uma adaptação a um consumo mais consciente e planeado, o que poderá indicar um padrão de comportamento para os próximos anos.







