Bondstone avança para o capital de risco e aponta 50 milhões para deep tech no Sul da Europa

A Bondstone alargou a sua atividade para o capital de risco com a criação da Bondstone Ventures, uma nova unidade focada em deep tech e tecnologias transformadoras. O primeiro fundo tem uma meta de 50 milhões de euros e vai concentrar-se em rondas seed e early stage, numa aposta que reforça a presença portuguesa no financiamento da inovação científica e industrial na Europa.
7 de Abril, 2026

A portuguesa Bondstone, até aqui posicionada nas áreas de desenvolvimento imobiliário, investimento e gestão de ativos, anunciou o lançamento da Bondstone Ventures, a nova unidade de venture capital do grupo orientada para investimento em deep tech e outras tecnologias transformadoras no Sul da Europa, mantendo uma cobertura pan-europeia seletiva.

A criação desta nova unidade assinala um passo estratégico na evolução da sociedade, que passa a estender a sua plataforma de investimento a empresas tecnológicas com elevado potencial de escalabilidade. A decisão surge ancorada na experiência acumulada em private equity e na lógica de criação de valor que a gestora tem vindo a desenvolver, agora aplicada ao financiamento de inovação em áreas científicas e industriais de maior complexidade.

A nova área de negócio pretende apoiar empresas que desenvolvem tecnologias capazes de responder a desafios estruturais europeus. Entre os domínios identificados estão os supercondutores, energia, computação quântica, inteligência artificial, biologia computacional, robótica, nanotecnologia e tecnologia espacial. A sociedade sustenta esta abordagem na experiência interna acumulada em engenharia, finanças e gestão de investimentos.

O primeiro fundo da Bondstone Ventures irá investir e co-investir em rondas seed e early stage e tem como objetivo captar 50 milhões de euros junto de uma base diversificada de investidores institucionais. A operação será realizada através de uma sociedade gestora de fundos de capital de risco autorizada e supervisionada pela CMVM, assegurando um enquadramento regulado para este tipo de investimento.

Na fundamentação estratégica desta aposta, a empresa enquadra o momento atual da Europa como particularmente relevante para a criação de novas empresas tecnológicas, num contexto marcado por realinhamento económico, aceleração tecnológica e alterações geopolíticas. A leitura da gestora é a de que estas dinâmicas estão a abrir espaço para negócios capazes de redefinir setores inteiros.

A Bondstone Ventures afirma que irá combinar capital com apoio estratégico e operacional para ajudar empreendedores a escalar tecnologias emergentes desde as fases iniciais até etapas de crescimento mais avançadas. O posicionamento da nova unidade assenta na aproximação entre conhecimento científico, capacidade financeira e apoio direto à execução.

Este enquadramento reflete-se também na composição da liderança. Paulo Loureiro, fundador e CEO da Bondstone, e João Pedro Silva, partner da nova unidade, partilham formação académica em física antes da passagem para o setor financeiro. O percurso de Paulo inclui funções como executive director na Morgan Stanley, em Nova Iorque, e experiência em engenharia na Schlumberger, na América Latina, além de um MBA pela University of Chicago Booth School of Business. João Pedro Silva reúne mais de dez anos de experiência em banca, private equity, imobiliário e venture capital, incluindo certificação CFA.

Para reforçar a capacidade de acompanhamento operacional das participadas, a estrutura contará ainda com Venture Partners com experiência em escalabilidade internacional. Entre eles está Luís Teixeira, antigo chief operations officer da Farfetch, onde acompanhou a expansão da tecnológica de 50 milhões para 5 mil milhões de dólares em Gross Transaction Value e o crescimento da equipa de 300 para mais de 6.000 colaboradores a nível global. A experiência acumulada na expansão de empresas tecnológicas internacionais deverá agora ser aplicada no apoio estratégico às futuras empresas do portefólio.

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