BPI leva IA jurídica para o coração do banco

O departamento jurídico interno do Banco BPI escolheu a Harvey como plataforma principal de inteligência artificial jurídica, depois de um piloto que evidenciou ganhos de produtividade em áreas centrais do trabalho da equipa. A adoção da solução pretende reduzir o tempo gasto em tarefas orientadas por processos e reforçar a consistência do apoio jurídico prestado ao banco.
24 de Junho, 2026
Imagem gerada por IA

O Banco BPI passou a utilizar a Harvey como principal plataforma de inteligência artificial jurídica no seu departamento jurídico interno. A decisão surge após um piloto inicial em que foram identificados ganhos de produtividade em áreas relevantes da atividade da equipa, num contexto em que a função jurídica desempenha um papel crítico no suporte à operação bancária.

A adoção da Harvey tem como objetivo libertar os advogados de parte do trabalho mais processual, permitindo-lhes concentrar mais tempo na prestação de serviços jurídicos ao banco. Para uma instituição com 77,4 mil milhões de euros em volume de negócios, mais de 4.500 colaboradores e integrada no Grupo CaixaBank, a eficiência jurídica é particularmente relevante, não apenas pela dimensão da operação, mas também pela complexidade regulatória do setor financeiro.

O departamento jurídico interno do BPI apoia uma atividade bancária que envolve clientes de retalho, empresas e instituições, com o centro da operação em Portugal. A equipa trabalha sobre matérias como banca, regulação, gestão de ativos, proteção de dados, inovação, fiscalidade, contencioso e recuperação de créditos. São áreas que exigem rigor técnico, atualização permanente e conhecimento das fontes jurídicas portuguesas e europeias.

É neste ponto que a Harvey entra na operação. A plataforma disponibiliza agentes de inteligência artificial e ferramentas específicas para trabalho jurídico, com acesso a fontes de conhecimento em português adequadas ao enquadramento legal e regulatório em que os advogados do BPI desenvolvem a sua atividade.

A solução foi concebida para apoiar tarefas jurídicas com maior rapidez, sem substituir a exigência de validação, rigor e responsabilidade profissional que caracteriza a função jurídica interna. Na prática, a plataforma pretende ajudar a equipa a trabalhar de forma mais eficaz em processos que dependem de pesquisa, análise, organização de informação e consulta de conhecimento especializado.

Segundo Luís Graça Moura, Diretor Jurídico do Banco BPI, a adoção da Harvey já permitiu observar ganhos práticos no trabalho da equipa, mantendo o rigor e a qualidade que sustentam a função jurídica do banco. O responsável enquadra esta evolução como uma forma de potenciar a criação de valor para a instituição e, em última análise, para os seus clientes.

A Harvey, por sua vez, apresenta a escolha do BPI como um sinal relevante para a adoção de inteligência artificial no mercado jurídico português, em particular no setor financeiro. João Fonseca, Gestor de Contas Empresariais da empresa, associa a implementação à forma como as equipas jurídicas internas começam a integrar ferramentas de IA nos seus processos de trabalho.

Num setor onde a pressão regulatória, a rapidez de resposta e a consistência documental são fatores críticos, a inteligência artificial jurídica começa a ocupar um espaço mais operacional dentro das organizações. O caso do BPI mostra como estas ferramentas estão a sair do território experimental para serem integradas em fluxos de trabalho concretos, sobretudo em equipas que lidam diariamente com grandes volumes de informação técnica e normativa.

A adoção da Harvey pelo departamento jurídico interno do Banco BPI não altera a natureza do trabalho jurídico, mas introduz uma camada tecnológica destinada a acelerar processos e a apoiar decisões informadas. Para os decisores tecnológicos, o movimento é também um sinal de que a inteligência artificial generativa especializada está a encontrar espaço em áreas funcionais altamente reguladas, onde a eficiência só tem valor quando é acompanhada por controlo, qualidade e confiança.

Opinião