Segundo informa Pieter Haeck no Politico, e em consonância com as preocupações expressas por uma parte do Parlamento Europeu, a Comissão Europeia iniciou conversações com a OpenAI para que esta última facilite às autoridades comunitárias o acesso a um modelo de inteligência artificial capaz de identificar vulnerabilidades em programas informáticos.
Esta informação surge depois de vinte e nove eurodeputados terem exigido, numa carta aberta, à Comissão que este organismo ponha em marcha um plano europeu de mitigação dos riscos cibernéticos decorrentes dos sistemas de inteligência artificial mais avançados, colocando o foco no projeto Glasswing da Anthropic, cujo objetivo é corrigir vulnerabilidades de forma antecipada, mas ao qual nenhuma empresa ou instituição europeia teve acesso, apesar de informações que apontassem nesse sentido.
A iniciativa da OpenAI contrasta fortemente com a atitude mantida até agora pela Anthropic, que limitou a distribuição deste sistema a uma dúzia de empresas de tecnologia e cibersegurança de confiança sediadas nos Estados Unidos, bem como a cerca de quarenta organizações cuja identidade não foi revelada, nenhuma delas de origem europeia, segundo os dados disponíveis.
De acordo com a informação publicada pelo Politico, o responsável pela iniciativa da parte da OpenAI é George Osborne, antigo ministro da Economia e Finanças do Reino Unido, que enviou uma carta esta mesma semana ao executivo comunitário com a proposta. Osborne explicou à mesma publicação, numa entrevista exclusiva, que a empresa também deu início ao processo para contactar os diferentes Estados-Membros da UE.
Afirmou ainda que o objetivo da iniciativa da OpenAI é colaborar com as administrações para que as instituições, as empresas de serviços públicos e as infraestruturas essenciais do continente fiquem devidamente protegidas contra ameaças cibernéticas. As manchetes dominadas por Claude Mythos, com a publicidade que isso está a trazer à Anthropic — uma empresa que representa cada vez mais concorrência para a OpenAI —, certamente também pesaram nesta decisão.
A proposta concreta da OpenAI refere-se a uma variante do GPT-5.5 centrada na cibersegurança, o modelo mais avançado da empresa, apresentado há aproximadamente três semanas. Caso se chegue a algum tipo de acordo entre a empresa norte-americana e as instituições governamentais europeias, tanto os funcionários da UE como os organismos públicos de supervisão poderão aceder à versão mais permissiva do sistema, uma vez que o modelo de uso geral incorpora diversos mecanismos de segurança concebidos para impedir que os utilizadores o transformem numa ferramenta de pirataria.
O Politico dá continuidade às declarações do porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, que agradeceu a transparência da OpenAI e salientou que a medida permitirá aos responsáveis comunitários supervisionar a implementação do modelo e abordar eventuais preocupações de segurança. Regnier confirmou também que já se tinham realizado conversações prévias com a empresa e que estava previsto retomar os contactos ao longo da semana.
A ENISA, a agência europeia de cibersegurança com sede na Grécia, também confirmou ao Politico ter sido contactada pela empresa norte-americana. A Anthropic recusou-se a fazer declarações à publicação de atualidade sobre política.







