Carta de Maputo define novas prioridades para a cooperação digital lusófona

O 3.º Fórum Lusófono da Governação da Internet, realizado em Maputo, reforçou o compromisso dos países de língua portuguesa com a transformação digital, a inovação e a criação de políticas comuns para o desenvolvimento tecnológico.
9 de Outubro, 2025

O 3.º Fórum Lusófono da Governação da Internet reuniu, nos dias 22 e 23 de setembro, representantes governamentais, especialistas em tecnologia e líderes institucionais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no Centro Internacional de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, Moçambique. O encontro teve como objetivo promover o diálogo sobre o papel da Internet e das tecnologias digitais no desenvolvimento económico e social do espaço lusófono.

Entre os temas debatidos destacou-se a economia digital e a inovação como pilares do crescimento económico. No painel “Economia Digital e Inovação: Impulsionando o Desenvolvimento Económico através das Tecnologias Digitais”, foram discutidas as formas de acelerar a transformação digital das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), o fomento ao empreendedorismo tecnológico e a criação de startups como elementos essenciais para modernizar as economias dos países lusófonos.

O painel contou com a importante participação de Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI – Associação da Economia Digital de Portugal, que sublinhou o papel da inovação e da transformação digital como motores de competitividade e crescimento sustentável. A sua intervenção destacou a relevância de reforçar a cooperação entre os países de língua portuguesa na partilha de conhecimento e na promoção de um ecossistema digital inclusivo, com especial foco nas MPMEs e no desenvolvimento de talento tecnológico.

O debate contou ainda com a participação de representantes de instituições de referência no setor, como o Instituto Nacional das Tecnologias de Informação e Comunicação (INTIC) de Moçambique, presidido por Lourino Chemane, e a LusNIC – Associação de Registries de Língua Portuguesa, presidida por Marta Moreira Dias. Também marcou presença Leonilde Tatiana dos Santos, presidente do Conselho de Administração da Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME) de Cabo Verde, reforçando o envolvimento dos reguladores na construção de políticas digitais conjuntas.

O encontro culminou com a aprovação da Carta de Maputo, um documento que define as prioridades estratégicas para o futuro digital da Lusofonia. A carta estabelece princípios orientadores para reforçar a cooperação entre os países lusófonos em temas como a governança da Internet, a cibersegurança, a capacitação digital e a inovação tecnológica. O documento é considerado um passo relevante para harmonizar políticas públicas e criar sinergias no desenvolvimento digital do espaço lusófono.

Com uma visão de longo prazo, o fórum reforçou o papel da lusofonia como um espaço de partilha de conhecimento e de integração tecnológica, capaz de unir esforços em torno de desafios comuns, desde a infraestrutura digital à formação de competências.

O próximo Fórum Lusófono da Governação da Internet está agendado para 2026, em Angola, onde se espera a continuidade das discussões iniciadas em Maputo e a consolidação de uma agenda digital colaborativa entre os países de língua portuguesa.

Opinião