A notícia, avançada pela Reuters, indica que a orientação foi transmitida esta semana a agentes alfandegários e acompanhada por reuniões entre responsáveis do Governo chinês e empresas tecnológicas locais. Nessas reuniões, os grupos nacionais foram aconselhados a não adquirir os chips H200, salvo em situações consideradas estritamente necessárias.
A linguagem utilizada pelas autoridades foi descrita como suficientemente dura para equivaler, na prática, a uma proibição temporária, ainda que sem uma clarificação formal sobre o seu alcance ou duração. Segundo fontes próximas do processo, não foram apresentadas justificações oficiais nem ficou claro se a medida se aplica apenas a novas encomendas ou também a pedidos já efetuados.
O H200 é atualmente o segundo chip de IA mais poderoso da Nvidia e tornou-se um dos pontos mais sensíveis no confronto tecnológico entre os Estados Unidos e a China. A sua venda ao mercado chinês recebeu esta semana luz verde da administração norte-americana, embora sujeita a condições específicas, o que torna a decisão de Pequim particularmente difícil de interpretar.
Não é claro se o objetivo do Governo chinês passa por proteger e incentivar a indústria local de semicondutores, se se trata de uma medida provisória ou se está a ser usada como instrumento negocial nas conversações com Washington. Do lado norte-americano, o chip também gera controvérsia, com setores políticos a recearem que a sua utilização possa reforçar capacidades militares chinesas e reduzir a vantagem dos EUA em inteligência artificial.
De acordo com as mesmas fontes, estão a ser discutidas possíveis exceções para projetos de investigação e desenvolvimento, sobretudo quando realizados em parceria com universidades. Um relato publicado pelo The Information refere que apenas nessas circunstâncias especiais as compras poderão vir a ser aprovadas pelas autoridades chinesas.
A decisão surge num contexto de restrições crescentes impostas pelos Estados Unidos à exportação de chips avançados para a China desde 2022. No ano passado, a administração Trump acabou por permitir a venda do chip H20, significativamente menos potente, mas Pequim bloqueou de facto essas aquisições a partir do verão, levando o CEO da Nvidia, Jensen Huang, a admitir que a quota da empresa no mercado chinês de chips de IA caiu para zero.
O H200 representa um salto tecnológico relevante, oferecendo cerca de seis vezes mais desempenho do que o H20. Apesar de fabricantes chineses terem desenvolvido processadores de IA próprios, como o Ascend 910C da Huawei, o chip da Nvidia continua a ser considerado mais eficiente para o treino de modelos avançados de grande escala.
As empresas tecnológicas chinesas já tinham encomendado mais de dois milhões de unidades do H200, a um preço unitário próximo dos 27 mil dólares, um volume muito superior ao stock disponível da Nvidia, estimado em cerca de 700 mil chips. A autorização norte-americana para exportação inclui ainda um limite que impede que a China receba mais de 50% do total de chips vendidos a clientes dos EUA.
Até ao momento da publicação da notícia, a Administração Geral das Alfândegas da China, o Ministério da Indústria e das Tecnologias de Informação e a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma não responderam aos pedidos de esclarecimento da Reuters. A Nvidia também não comentou a situação.







