Ciberataques à boleia do calendário fiscal ganham escala

Uma análise da Check Point aponta para uma preparação metódica de campanhas maliciosas associadas ao período de entrega de impostos, com registo crescente de domínios suspeitos, esquemas de phishing que imitam autoridades fiscais e malware distribuído por email. O padrão, observado ao longo de vários meses, reforça o risco para empresas e utilizadores num momento em que circulam dados financeiros e pessoais particularmente sensíveis.
6 de Abril, 2026

A atividade maliciosa associada à época fiscal está a intensificar-se, de acordo com dados da Check Point Research, que identificam uma preparação prolongada das infraestruturas usadas em campanhas de phishing, fraude por domínios falsos e distribuição de malware. Em vez de ataques pontuais, os investigadores descrevem um trabalho prévio de vários meses, desenhado para coincidir com o período em que empresas e particulares trocam online informação fiscal, financeira e dados pessoais.

Entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026, foram registados centenas de novos domínios com referências a impostos ou a nomes de autoridades tributárias. A evolução foi gradual no final do ano passado, mas ganhou tração a partir de novembro, sugerindo uma estratégia deliberada para explorar a janela fiscal.

Segundo a investigação, um em cada 15 novos domínios ligados ao tema fiscal foi classificado como malicioso ou suspeito, um indicador da crescente instrumentalização deste contexto por grupos criminosos. Em março de 2026, o volume voltou a subir e o nível de risco agravou-se, com um em cada 10 novos domínios registados nesse mês a ser sinalizado como perigoso, a proporção mais elevada observada no período em análise.

A investigação detetou ainda várias campanhas de phishing que replicam a imagem e a linguagem de autoridades fiscais. Entre os exemplos identificados estão domínios que imitavam o Internal Revenue Service (IRS) dos Estados Unidos e que apresentavam estruturas praticamente idênticas entre si, o que aponta para uma operação coordenada.

Nestes casos, os sites fraudulentos prometiam reembolsos fiscais elevados para induzir as vítimas a agir rapidamente. O objetivo passa pela recolha de dados críticos, como nome completo, número de segurança social, contacto telefónico e email, seguindo-se processos de falsa verificação de identidade que ampliam a extração de informação pessoal.

O risco estende-se ao correio eletrónico corporativo

O vetor de ataque não se limita aos websites. Em fevereiro de 2026, a mesma equipa identificou uma campanha de correio eletrónico malicioso dirigida a organizações em Espanha, construída para simular comunicações da Agência Tributária. A mensagem recorria a um endereço falsificado e a um assunto que remetia para uma alegada notificação fiscal de 2026.

O elemento central era um ficheiro executável malicioso classificado como Trojan Downloader, identificado como Trojan.Minix. Depois de aberto, o ficheiro funciona como ponto de entrada para ameaças adicionais, permitindo descarregar ferramentas de roubo de credenciais ou programas de registo de teclado, com potencial para comprometer sistemas empresariais e extrair dados sensíveis.

A Check Point sublinha que este padrão não é exclusivo de outros mercados. Ao longo dos últimos meses, também a Autoridade Tributária portuguesa tem vindo a alertar para ações maliciosas que recorrem à marca e à personificação da entidade nacional, sinal de que o risco é igualmente relevante para organizações em Portugal.

O contexto fiscal cria condições particularmente favoráveis a este tipo de fraude. A combinação entre grande volume de informação sensível, expectativa de comunicações oficiais e pressão para cumprir prazos curtos aumenta a probabilidade de erro humano, sobretudo em departamentos financeiros, administrativos e equipas com responsabilidades na gestão documental.

Para os decisores de compras tecnológicas e responsáveis de segurança, a leitura é clara. O reforço da monitorização de novos domínios, a deteção precoce de tentativas de phishing, o bloqueio da execução de ficheiros suspeitos e a formação contínua dos utilizadores mantêm-se como medidas centrais de mitigação.

A Check Point conclui que uma postura de segurança proativa, combinada com controlos rigorosos e literacia dos utilizadores, continua a ser a defesa mais eficaz contra ameaças cibernéticas intensificadas pela época fiscal.

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