Os antecedentes desta ameaça recuam ao final de 2023, data em que foram detetadas as primeiras campanhas públicas que utilizavam versões modificadas de ferramentas legítimas de comunicação de campo próximo (NFC, a tecnologia que permite a transmissão de dados sem contacto entre dispositivos). Após impactar inicialmente a Europa, estas técnicas estenderam-se a outras regiões como a Rússia, devido à comercialização do código nocivo sob o modelo de malware como serviço (MaaS), um esquema comercial que facilita o acesso a estas ferramentas a outros cibercriminosos. Esta evolução confirmou os prognósticos emitidos no final de 2025, os quais antecipavam uma subida dos incidentes nas plataformas de pagamento móvel para o presente exercício.
Os ciberataques baseados na tecnologia NFC dirigidos a telefones Android registaram um incremento de 188% durante os quatro primeiros meses de 2026. Neste período, as soluções de cibersegurança bloquearam 35 600 tentativas de ataque, face às 12 300 detetadas no mesmo período do ano anterior, afetando famílias de programas maliciosos como SuperCard X, PhantomCard, NGate e modificações da ferramenta NFCGate.
Embora os utilizadores da Rússia concentrem atualmente o maior número de infeções, as análises confirmam que o impacto se está a expandir progressivamente para outros mercados, com especial incidência na Europa e na América Latina.
Atualmente, estas ações criminosas estruturam-se em torno de dois procedimentos principais: por um lado, encontra-se o esquema de NFC direto, no qual os atacantes contactam a vítima através de aplicações de mensagens para a convencer a descarregar um programa falso sob o pretexto de verificar a sua identidade, solicitando-lhe depois que aproxime o seu cartão bancário do telefone e introduza o código PIN para capturar os seus dados.
Por outro lado, a modalidade de NFC inverso tornou-se cada vez mais habitual e perigosa ao conseguir que seja a própria vítima a transferir voluntariamente o dinheiro. Neste segundo cenário, o utilizador instala uma aplicação maliciosa que define como método de pagamento predefinido e, após receber instruções enganosas, deposita fundos num caixa automático julgando que os está a transferir para uma conta segura, quando na realidade terminam diretamente nas mãos dos cibercriminosos.
Perante a contínua evolução e expansão geográfica destas ferramentas nocivas, a mitigação do risco exige a adoção de diretrizes de prevenção rigorosas nos ambientes corporativos e pessoais. Para reduzir o risco de infeção, resulta fundamental evitar a instalação de aplicações a partir de hiperligações não oficiais ou mensagens suspeitas, além de não seguir instruções de estranhos ao operar em caixas automáticos.
A nível corporativo, a implementação de soluções de segurança integrais na frota de terminais Android permite intercetar o software malicioso e bloquear as tentativas de usurpação de identidade antes que comprometam os ativos da organização.







