A representação gráfica através de carateres tem as suas raízes nas primeiras etapas da informática, quando a incapacidade dos computadores para processar gráficos reais obrigou a compor imagens mediante símbolos de texto. Este método, popularizado após a introdução do padrão ASCII em 1963 e alargado posteriormente com conjuntos de carateres como o Unicode, foi adotado na década de 2000 pelos remetentes de correio não solicitado (spam). Naquele período, a substituição de imagens por texto procurava contornar os mecanismos de deteção capazes de examinar ficheiros de imagem em busca de hiperligações ocultas.
Com o tempo, o uso de códigos QR intensificou-se em setores como a hotelaria, o turismo e os serviços corporativos, atingindo um pico notável de utilização durante os meses estivais. Esta presença constante fez com que, ao longo da segunda metade de 2025, as campanhas de usurpação de identidade baseadas nestes elementos se multiplicassem por cinco.
Analistas de cibersegurança detetaram uma nova técnica de fraude que constrói códigos QR utilizando carateres de texto em vez de imagens convencionais. Esta metodologia baseada em gráficos ASCII permite que os códigos maliciosos evitem os sistemas de proteção de correio orientados para a análise de imagens ou para a deteção de hiperligações. Nestes esquemas, a vítima recebe uma mensagem que aparenta proceder de um parceiro comercial para gerir a assinatura de um documento confidencial através da plataforma DocuSign. Os ataques simulam estas comunicações para direcionar o utilizador para páginas web fraudulentas e solicitar as suas credenciais corporativas.
Especialistas da Kaspersky indicam que este regresso à representação baseada em texto procura contornar os controlos de segurança num contexto em que os utilizadores digitalizam códigos com frequência a partir dos seus dispositivos móveis. Recomenda-se redobrar a precaução perante qualquer código QR recebido por correio eletrónico que solicite iniciar sessão ou descarregar documentos. Especialmente se proceder de remetentes inesperados, gerar urgência ou utilizar carateres de texto para formar o código.







