Cibercriminosos utilizam o WhatsApp para instalar ferramentas de controlo remoto em equipamentos empresariais

Através da utilização de contas comprometidas, os atacantes enviam supostos documentos financeiros que, após uma cadeia de execução oculta, instalam software de gestão legítimo para obter acesso remoto aos sistemas informáticos afetados.
26 de Junho, 2026

Os investigadores de segurança da Kaspersky detetaram uma campanha de distribuição de software malicioso através das versões para computador e web do WhatsApp, que afeta utilizadores de várias regiões que continua ativa à data da redação deste artigo.

A equipa de Análise e Investigação Global da empresa russa dedicada à cibersegurança traçou a operação inicial desta intrusão. O método de ataque baseia-se no envio de anexos que simulam ser documentos corporativos a partir de contas de mensagens previamente comprometidas. Para conferir maior credibilidade à comunicação e facilitar a sua penetração no mercado europeu e noutras zonas geográficas, os atacantes utilizam nomes de ficheiros que parecem ser faturas, extratos bancários, avisos de dívida ou comprovativos de pagamento, adaptando-os a idiomas como o inglês, o francês, o alemão, o português e o malaio. Ao receber a mensagem de um contacto da sua própria lista de contactos, o destinatário tende a considerar válida a legitimidade da mensagem.

Segundo detalham os analistas responsáveis pela descoberta, os atacantes exploram esta relação de confiança para levar o profissional a interagir com o ficheiro. As provas técnicas revelam que esses anexos são, na realidade, sequências de comandos programadas em VBScript. Para minimizar as suspeitas iniciais, estes ficheiros incorporam metadados e comentários internos concebidos para se fazerem passar por componentes padronizados das atualizações do sistema operativo Windows.

Assim que o utilizador executa o suposto documento, é desencadeado um processo de intrusão estruturado em várias etapas. Numa primeira fase, o ficheiro inicial cria um diretório de trabalho temporário no computador e procede ao download de elementos adicionais a partir de servidores externos controlados por terceiros, executando-os através das ferramentas nativas do próprio sistema operativo.

A cadeia de infeção culmina com a instalação silenciosa de ferramentas legítimas de administração remota que conferem aos atacantes o controlo total dos equipamentos afetados. Nos incidentes concretos desta campanha, foi identificada a implantação não autorizada do pacote de instalação correspondente à plataforma empresarial ManageEngine Endpoint Central.

A utilização deste tipo de programas, originalmente concebidos para a gestão lícita de redes, a distribuição de software ou o suporte técnico empresarial, consolidou-se como uma tática recorrente para mascarar atividades ilícitas perante as soluções de defesa perimetral.

Face ao alcance deste tipo de operações, os especialistas aconselham os responsáveis pela tecnologia a reforçarem as diretrizes de precaução perante a receção de comunicações inesperadas através de canais de mensagens instantâneas, além de recomendarem a implementação de políticas rigorosas para evitar a abertura de ficheiros com extensões executáveis ou de sequências de comandos sem uma verificação exaustiva da sua proveniência real, recorrendo sempre a plataformas de proteção avançadas nos postos de trabalho para bloquear a cadeia de execução deste tipo de ameaças.

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