Cibersegurança expõe fragilidade interna das organizações

Um estudo global revela que a maioria das empresas continua a enfrentar um problema estrutural na formação dos colaboradores em cibersegurança, num momento em que a inteligência artificial acelera a sofisticação das ameaças digitais.
18 de Março, 2026

A Fortinet divulgou os resultados do Security Awareness and Training Global Research Survey 2025, um estudo internacional que recolheu a opinião de 1.850 decisores de TI e Segurança em 29 mercados. Os dados mostram que 69% das organizações reconhecem que os seus colaboradores ainda não possuem conhecimentos suficientes em cibersegurança, confirmando que o fator humano continua a ser um dos principais pontos de vulnerabilidade.

Num contexto em que os ataques evoluem rapidamente, impulsionados pelo uso crescente de inteligência artificial por agentes maliciosos, o estudo evidencia um desalinhamento entre a sofisticação das ameaças e a preparação interna das equipas. Apenas 40% das organizações consideram que os colaboradores estão bem preparados para identificar, evitar e reportar ameaças potenciadas por IA, um indicador que reforça a exposição ao risco.

A crescente utilização de IA no cibercrime está também a influenciar a forma como as empresas encaram a formação. A maioria dos inquiridos indica que este fenómeno aumentou a perceção da importância da consciencialização em segurança. Cerca de 88% dos decisores admitem que o uso de IA por atacantes reforçou a necessidade de formação interna, enquanto quase todas as organizações já estão a responder ao fenómeno com políticas específicas. De facto, 96% afirmam ter implementado ou estar a implementar regras para a utilização de aplicações de IA generativa, embora apenas 53% tenham avançado com formação estruturada ou monitorização ativa da partilha de informação sensível.

A pressão externa continua a ser o principal catalisador para a adoção de programas de formação. Cerca de 41% das organizações apontam as ameaças externas como principal motor para investir em security awareness, enquanto a segurança de dados surge como o tema mais relevante, seguido da privacidade e das ameaças associadas à inteligência artificial.

Apesar das fragilidades identificadas, o estudo aponta sinais positivos no impacto da formação. Cerca de 67% das organizações registaram uma redução moderada ou significativa de incidentes após implementarem programas de consciencialização, sugerindo que o investimento nesta área tem retorno mensurável. Os indicadores mais utilizados para avaliar eficácia incluem a diminuição de incidentes, o feedback dos colaboradores e os resultados de auditorias de segurança.

Ainda assim, persiste um desfasamento entre a perceção da importância da formação e a maturidade real das equipas. Embora 95% dos decisores acreditem que reforçar a consciencialização pode reduzir ciberataques, muitos reconhecem que os comportamentos no terreno não acompanham essa perceção. Este desalinhamento é visível nas taxas incompletas de participação em programas de formação e no facto de 26% dos líderes admitirem que os colaboradores nem sempre seguem as boas práticas, mesmo quando conhecem os riscos.

O estudo conclui que, perante um cenário de ameaças em constante evolução, a formação em cibersegurança não pode ser tratada como um exercício pontual ou meramente orientado para conformidade. O desafio passa por transformar a consciencialização num processo contínuo, integrado e orientado para a mudança de comportamento, capaz de reforçar de forma consistente a resiliência digital das organizações.

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