Cibersegurança: o pilar estratégico para a sustentabilidade empresarial

Um dos maiores riscos cibernéticos que as empresas enfrentam atualmente é o phishing, responsável por 35% dos crimes cibernéticos registados em Portugal no ano anterior. Medidas simples, como verificar a autenticidade de e-mails, mensagens ou sites suspeitos, podem reduzir drasticamente o risco de um ataque.
30 de Outubro, 2024

Em plena Era Digital, conforme designa a Comissão Europeia, novas tecnologias desempenham um papel preponderante na forma como os negócios se estruturam, crescem e se tornam competitivos e resilientes no contexto global. À medida que novas ferramentas, como a Inteligência Artificial e Big Data, evoluem a uma rápida escala, cada vez mais empresas veem como imperativo adaptar-se a este novo cenário.

No entanto, com a digitalização dos negócios vêm também desafios e riscos importantes que as organizações não devem ignorar, tais como o aumento das ameaças cibernéticas que, segundo o World Economic Forum, são já considerados um dos dez maiores riscos da próxima década. Esta preocupação torna-se ainda mais expressiva quando analisamos o panorama atual. No último ano, o Observatório de Cibersegurança registou 2512 queixas de crimes no ciberespaço, um aumento de 13% em relação a 2022.

Perante esta crescente preocupação, torna-se crucial que as empresas encarem a segurança online como um dos pilares estratégicos para a sustentabilidade empresarial. A proteção digital não deve ser encarada apenas como um custo, mas sim como parte fundamental para a resiliência e competitividade do negócio.

Uma das principais apostas deve passar pela implementação de tecnologias de segurança avançadas, como é o caso de firewalls, criptografia e softwares de proteção contra malwares. Embora careçam de um maior investimento financeiro, estas ferramentas permitem às empresas protegerem-se de ameaças que podem comprometer a sua continuidade. Além disso, a integração da Inteligência Artificial e Machine Learning nas operações é uma poderosa estratégia para identificar riscos em tempo real, permitindo uma resposta mais rápida e eficaz por parte dos colaboradores. No entanto, o uso da tecnologia sem uma abordagem preventiva e proativa em relação à cibersegurança não é suficiente. Por este motivo, as empresas devem apostar simultaneamente em práticas como a atualização contínua de software, a utilização de autenticação multifator e a realização frequente de cópias de segurança para minimizar, de forma significativa, a exposição a riscos cibernéticos.

A par deste reforço, é fundamental que se invista numa cultura organizacional de segurança online. Saber identificar e lidar com potenciais ameaças no ciberespaço não deve ser apenas uma tarefa do departamento informático, mas sim algo transversal a todos os colaboradores, independentemente do papel que desempenham na entidade. Workshops e formações regulares são uma excelente forma de promover a literacia digital e garantir que cada colaborador se torna um agente ativo na defesa da empresa contra ataques.

Um dos maiores riscos cibernéticos que as empresas enfrentam atualmente é o phishing, responsável por 35% dos crimes cibernéticos registados em Portugal no ano anterior. Medidas simples, como verificar a autenticidade de e-mails, mensagens ou sites suspeitos, podem reduzir drasticamente o risco de um ataque. Incentivar os colaboradores a ter este cuidado reforçado é uma das formas mais eficazes de proteger os dados e sistemas de uma organização.

Com outubro a assinalar o Mês Europeu da Cibersegurança, torna-se crucial refletir sobre a responsabilidade coletiva para garantir um ambiente digital seguro nas organizações. Num contexto em que as ameaças cibernéticas estão em constante evolução,  as empresas que conseguem integrar inovação digital com segurança são as que mais conseguem prosperar. Para enfrentar os desafios da Era Digital e garantir um futuro empresarial mais sustentável e seguro, essa tarefa passa por antecipar, prevenir e mitigar riscos. Vamos por mãos à obra?

João Costa é country manager da ERA Group

Opinião