Cibersegurança sobe ao topo da agenda empresarial no Portugal Digital Cyber eXperience

O Portugal Digital Cyber eXperience quer retirar a cibersegurança do domínio exclusivamente técnico e colocá-la no centro da estratégia empresarial. Com quatro palcos temáticos, foco na nova legislação europeia e um painel que junta líderes empresariais, o evento dirige-se a quem decide investimento, risco e governação nas organizações.
2 de Março, 2026

O Portugal Digital Cyber eXperience nasce num contexto em que as ciberameaças se intensificam e a inteligência artificial altera o equilíbrio da segurança digital. A um mês da entrada em vigor do NIS2, a organização patrocinada pela ACEPI, tem o um de enquadrar a cibersegurança como um tema de estratégia, governação e resiliência do negócio, e não apenas como uma questão tecnológica.

A iniciativa propõe uma mudança de paradigma ao tratar a cibersegurança como responsabilidade direta da gestão de topo e não apenas das equipas técnicas. Com a premissa de que a proteção digital deixou de ser um assunto circunscrito aos departamentos de TI e passou a influenciar decisões sobre risco, investimento e continuidade operacional.

O formato do evento também pretende diferenciar-se das conferências tradicionais. Para além de sessões plenárias e apresentações, estão previstas demonstrações ao vivo, desafios práticos e um challenge que permitirá aos participantes experimentar soluções e cenários concretos. A ideia é aproximar o debate da realidade operacional das organizações.

A estrutura assenta em quatro palcos temáticos dedicados a Estratégia e Governance, Regulação e Compliance, Resiliência e Resposta a Incidentes, e Tecnologias Disruptivas. Em cada espaço, haverá intervenções de enquadramento, casos de estudo e debates, sempre com ligação às exigências concretas das empresas.

A entrada em vigor da nova legislação que transpõe a diretiva NIS2 em Portugal surge como um dos eixos centrais do programa. Pouco tempo depois do evento, as organizações passarão a estar sujeitas a novas obrigações em matéria de gestão de risco e reporte de incidentes. Nesse contexto, está prevista uma intervenção do Centro Nacional de Cibersegurança para clarificar o que muda, quais as exigências práticas e quais as consequências do incumprimento.

Para além da NIS2, o enquadramento regulatório inclui igualmente o DORA, aplicável ao setor financeiro, reforçando a ideia de que a cibersegurança deixou de ser apenas uma boa prática recomendada e passou a ser uma imposição legal com impacto direto na governação das empresas.

A sessão plenária de abertura terá como protagonista um responsável do Instituto de Cyber Technologies da Ucrânia, que irá explicar como um país em guerra organiza a sua defesa digital. O exemplo ucraniano é apresentado como um caso extremo, mas pedagógico, sobre a importância da cibersegurança para garantir soberania e continuidade operacional. Embora o contexto seja distinto do ambiente empresarial português, a mensagem subjacente é a mesma: a resiliência digital é hoje uma condição de sobrevivência.

Um dos momentos menos habituais em conferências deste género será o painel que junta líderes empresariais. Participam Rogério Henriques, CEO da Fidelidade, Ferrari Careto, CEO da E-Redes, António Gameiro Marques, antigo diretor do Gabinete Nacional de Segurança, e Eduardo Penedes, da CrowdStrike. O objetivo é discutir a cibersegurança ao mais alto nível de decisão, abordando risco, investimento, regulação e impacto direto no negócio.

O programa inclui ainda intervenções do Instituto Superior Técnico sobre computação quântica e o seu impacto na criptografia, bem como sobre blockchain enquanto tecnologia com potencial para reforçar a resiliência organizacional. São temas que podem parecer distantes da operação diária, mas que começam a influenciar decisões estratégicas e planos de investimento de médio prazo.

Num momento em que a digitalização se cruza com maior escrutínio regulatório e com ameaças cada vez mais sofisticadas, o Portugal Digital Cyber eXperience posiciona-se como um espaço de debate para quem tem de tomar decisões informadas. Mais do que uma conferência técnica, o evento assume-se como um fórum para discutir a confiança digital como pilar da liderança empresarial.