Nos últimos anos, a modernização dos sistemas industriais registou um avanço considerável. Se analisarmos o ano de 2025, uma parte das organizações já operava com infraestruturas atualizadas, mas atualmente 40% das empresas utilizam sistemas de controlo com menos de cinco anos. O que representa o dobro do valor registado no ano passado. Esta rápida digitalização e a integração entre as áreas de Tecnologia da Informação e Tecnologia Operacional ampliaram significativamente a superfície exposta a possíveis ameaças, exigindo que as empresas reforcem as suas medidas de proteção desde a conceção inicial das suas infraestruturas.
Historicamente, a ligação entre estes dois mundos gerava graves falhas de segurança. No ano passado, 60% das empresas sofreram intrusões simultâneas nas suas redes corporativas e de produção. No entanto, os dados atuais mostram uma melhoria muito significativa na segmentação das infraestruturas, reduzindo os ataques simultâneos para apenas 24%. Apesar deste avanço qualitativo, o volume de incidentes detetados aumentou. Em 2025, 47% das empresas relataram entre uma e nove intrusões. Este ano, esse número subiu para 71%. Esta variação explica-se principalmente por um aumento notável nas capacidades técnicas de visibilidade e monitorização, mais do que por uma escalada real dos ataques.
De facto, a visibilidade completa dos ambientes de produção registou um crescimento positivo, passando de uns escassos 5% para os atuais 14%. Apesar disso, quase um quarto dos gestores reconhece que ainda não tem controlo sobre aproximadamente metade dos seus ativos industriais, deixando evidentes as lacunas que ainda persistem. Quanto à natureza dos ataques, a fraude por suplantação de identidade, ou phishing, mantém-se como o vetor mais frequente afetando 76% das infraestruturas, seguida de muito perto pelo sequestro de dados, ou ransomware, que continua a comprometer metade das empresas e representa um risco crítico para a continuidade das operações.
Perante este cenário de hiperconectividade, o tecido empresarial demonstra uma maior consciência relativamente às suas próprias vulnerabilidades. Enquanto no ano passado 49% das empresas se autoavaliavam com o nível máximo de maturidade, atualmente apenas 17% mantêm essa perceção. Longe de representar um retrocesso técnico, esta correção demonstra uma auditoria muito mais rigorosa e realista das deficiências internas em áreas fundamentais, como o acesso remoto seguro ou a capacidade de resposta a incidentes.
Para liderar esta nova fase de maturidade, 60% das organizações decidiram centralizar a responsabilidade final pela proteção operacional na figura do responsável pela segurança da informação (CISO), elevando a defesa destes ambientes a uma prioridade estratégica para a alta direção. Esta tendência é imparável, uma vez que 81% das entidades que ainda mantêm modelos descentralizados prevêem concluir esta transição organizacional durante o próximo ano, preparando-se para um futuro em que a grande maioria dos especialistas antecipa um quadro regulamentar muito mais rigoroso.
Para acelerar a evolução do setor, a análise propõe uma estratégia integral baseada na adoção de uma plataforma conjunta que unifique completamente a visibilidade e o controlo preventivo. Alcançar este objetivo requer segmentar minuciosamente as redes corporativas e industriais, garantir acessos remotos fiáveis para fornecedores externos, incorporar a tecnologia operacional nos planos gerais de resposta a incidentes e utilizar inteligência de ameaças concebida especificamente para as particularidades do setor industrial. Desta forma, a segurança deixa de ser abordada através de soluções isoladas para se tornar um ecossistema robusto que combina pessoas, processos e tecnologia sob uma mesma governação corporativa.







