Cloudflare lança o Precursor para conter o tráfego automatizado através da análise contínua das sessões

A nova ferramenta analisa o comportamento de navegação para detetar interações automatizadas, respondendo ao aumento do tráfego não humano que ultrapassa metade da Internet e contorna os métodos tradicionais de verificação.
16 de Julho, 2026

O tráfego da Internet sofreu recentemente uma transformação estrutural, chegando a um ponto em que a atividade gerada por sistemas automatizados ultrapassou a atividade humana, representando aproximadamente 57% do total das solicitações web. Este cenário, cada vez mais dominado por ferramentas baseadas em IA, fez com que as barreiras de segurança tradicionais se tornassem obsoletas. Atualmente, as organizações empresariais enfrentam um aumento nos custos de manutenção da sua infraestrutura técnica, alterações nos seus inventários de produtos e graves riscos de exposição de dados corporativos. Os sistemas automatizados modernos têm a capacidade de contornar verificações de segurança pontuais, como os controlos estáticos convencionais, simulando ações isoladas com grande facilidade.

Dane Knecht, diretor de tecnologia da Cloudflare, adverte que: “As verificações de segurança tradicionais analisam um único momento no tempo, mas os bots modernos já são suficientemente sofisticados para enganar esses controlos iniciais. Em vez de nos limitarmos a verificar uma identificação à entrada, analisamos o comportamento ao longo de toda a visita. Isto proporciona uma experiência fluida aos utilizadores legítimos e, ao mesmo tempo, torna extremamente difícil e dispendioso para os agentes maliciosos imitar o comportamento humano. A Cloudflare já protege os utilizadores milhares de milhões de vezes por dia em momentos críticos, como o início de sessão ou o processo de compra, mas até agora tudo o que acontecia entre esses momentos era uma caixa negra. Com o Precursor, eliminamos esse ponto cego”.

Em resposta a esta evolução do mercado, a Cloudflare anunciou a disponibilidade geral do Precursor, um novo sistema concebido para a recolha de sinais e a gestão automatizada do tráfego. Esta plataforma funciona de forma transparente nos navegadores e baseia-se na rede perimetral da empresa para monitorizar as sessões completas dos visitantes sem interromper a sua experiência de navegação.

A implementação desta tecnologia é efetuada através da distribuição de um código dinâmico pela rede, o que permite a sua ativação imediata sem necessidade de alterar a programação original das aplicações. Uma vez implementado, o sistema avalia constantemente vários parâmetros de interação física com os equipamentos, tais como os movimentos do rato, a velocidade de deslocamento pelo ecrã, a utilização da área de transferência e o tempo que a janela permanece visível no ecrã do computador.

Toda esta informação telemétrica é enviada para os servidores do fornecedor, onde um motor de análise processa os dados em tempo real para detetar comportamentos simulados. A infraestrutura verifica se as sequências de interação são coerentes e correspondem a um ser humano, confirmando, por exemplo, que as digitações de texto coincidem com a seleção prévia dos campos correspondentes ou que o cursor se move apenas quando a página está em primeiro plano. Ao contrário de outros mecanismos de cibersegurança que reiniciam a sua avaliação a cada nova solicitação de rede, esta solução analisa o percurso completo em sites convencionais e em aplicações de página única. Desta forma, a ferramenta ajusta continuamente a pontuação de risco associada à visita, o que impede que os agentes não humanos contornem a monitorização simplesmente atualizando o site.

No que diz respeito à confidencialidade da informação técnica, a arquitetura do software prioriza a proteção ao registar apenas padrões de comportamento agregados. Isto significa que, ao monitorizar a introdução de texto, o sistema capta o ritmo e a cadência temporal das teclas premidas, mas abstém-se de armazenar as teclas exatas que são premidas, evitando assim a recolha de dados sensíveis por parte da plataforma.

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