Colt reforça rede transatlântica para responder à pressão da inteligência artificial

Operadora expande ligações entre a Costa Este dos Estados Unidos e a Europa com novas rotas submarinas e terrestres, aumentando capacidade e redundância numa altura em que o tráfego global atinge máximos históricos impulsionados pela inteligência artificial, cloud e streaming.
12 de Fevereiro, 2026

A Colt Technology Services anunciou a disponibilização de novas rotas na sua rede de banda larga que liga a Costa Este dos Estados Unidos à Europa. A expansão aumenta de forma substancial a capacidade disponível numa das rotas de dados mais movimentadas do mundo, num contexto de crescimento acelerado do tráfego associado à inteligência artificial.

O reforço da infraestrutura inclui uma nova rota submarina transatlântica e investimento adicional na construção de rede de fibra ótica em terra. O objetivo é responder a uma procura que atingiu níveis históricos, impulsionada por cargas de trabalho intensivas e volumes de dados crescentes provenientes de aplicações de inteligência artificial, serviços de cloud e plataformas de streaming.

Segundo dados partilhados pela empresa, o fluxo de dados nos cabos submarinos transatlânticos é atualmente 55% superior ao registado nas rotas transpacíficas, confirmando o peso estratégico do eixo Europa–Estados Unidos para empresas tecnológicas e fornecedores de serviços digitais.

Entre os primeiros beneficiários da nova capacidade estão os grandes fornecedores de serviços de cloud e de conteúdos digitais. Nas principais rotas globais, estas organizações já representam mais de 80% da largura de banda utilizada, num cenário em que, desde 2020, o volume total de capacidade consumida a nível mundial triplicou.

A expansão agora anunciada liga centros de dados considerados estratégicos, assegurando maior flexibilidade na escolha de rotas, níveis elevados de desempenho e menor latência, ou seja, menor tempo de resposta na transmissão de dados. Para empresas que operam aplicações críticas ou serviços digitais em tempo real, esta redução de latência pode traduzir-se em ganhos diretos de desempenho e experiência do utilizador.

Entre os investimentos concretos está a disponibilização de capacidade no cabo submarino Marea, que liga Virginia Beach, na Costa Leste dos EUA, a Bilbau, no norte de Espanha. A empresa reforçou também as ligações de fibra entre os principais pontos de amarração de cabos transatlânticos e criou um novo backbone — a espinha dorsal da rede — entre Nova Iorque e Ashburn, na Virgínia, com extensão adicional até Virginia Beach.

Ashburn é reconhecida pela elevada concentração de centros de dados, sendo frequentemente referida como “Data Center Alley”, e assume um papel central no ecossistema digital norte-americano. Ao reforçar a conectividade nesta região, a Colt posiciona-se mais próximo dos principais hubs de cloud e de interligação internacional.

A infraestrutura passa a oferecer múltiplas opções de rotas transatlânticas com elevada capacidade, reforçando redundância e continuidade de serviço, dois fatores críticos para organizações que dependem de disponibilidade permanente e de planos de recuperação em caso de falha.

A empresa introduziu ainda novas opções de conectividade com ondas de 100G e 400G, referências à velocidade de transmissão de dados medida em gigabits por segundo. Na prática, estas capacidades permitem às organizações escalar rapidamente a largura de banda contratada, acompanhando o crescimento das necessidades de processamento e transferência de dados associadas a projetos de IA e transformação digital.

Com esta expansão, a presença da Colt nos Estados Unidos passa a incluir quatro estações de amarração de cabos interligadas na Costa Este e opções on-net em dez sistemas de cabos submarinos transatlânticos. Globalmente, a rede da empresa estende-se por mais de 40 países, interliga mais de 1.100 centros de dados, 32.000 edifícios empresariais e disponibiliza mais de 275 pontos de presença na cloud.

Num mercado em que a capacidade de rede se tornou um fator crítico para suportar cargas de trabalho de inteligência artificial e serviços digitais globais, o reforço da infraestrutura transatlântica assume um peso estratégico para fornecedores e clientes empresariais que operam entre a Europa e os Estados Unidos.

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