A KPMG publicou o relatório “How AI is helping to improve energy efficiency and management in real estate” (Como a IA está a ajudar a melhorar a eficiência e a gestão energética no setor imobiliário), no qual conclui que as renovações convencionais são demasiado lentas e dispendiosas para alcançar atempadamente as reduções de consumo necessárias, e que a via mais rápida passa pela IA aplicada num quadro de Gestão Estratégica de Energia (SEM). A consultora afirma que o valor não está apenas na instalação de novas tecnologias, mas na forma como as já existentes são geridas.
Do ponto de vista da implementação no terreno, a Exergio, desenvolvedora de uma ferramenta de IA para eficiência em edifícios comerciais, afirma que os seus projetos refletem estas conclusões. Segundo a empresa, a IA já está a reduzir o consumo desnecessário na ordem dos 20-30% em diferentes climas e tipos de imóveis, embora adverte que essas poupanças só se mantêm quando existe uma gestão energética ativa por trás. A ideia central é que a eficiência não é um marco pontual, mas sim um modo de funcionamento diário.
O quadro SEM, tal como consta do relatório, estabelece que é imprescindível medir continuamente o consumo de energia dos edifícios e atribuir responsabilidades claras para corrigir desvios. Nesse esquema, a supervisão diária geralmente recai sobre os gestores de instalações ou responsáveis pela energia, enquanto os ajustes operacionais (como a modificação de parâmetros em sensores) devem ser executados automaticamente por modelos de IA e aprendizagem automática em tempo real, com especialistas supervisionando o processo.
Em termos de impacto, a KPMG e especialistas do setor apontam que a implementação da mentalidade SEM por si só tende a proporcionar uma economia anual entre 5% e 7%, e que a combinação de SEM com IA eleva esse intervalo para aproximadamente 20-30%. A diferença, apontam, está na capacidade de ajustar continuamente a operação com base em dados.
O relatório distingue três níveis dentro do SEM. Na primeira etapa, trata-se de aproveitar ao máximo o existente: otimizar a operação diária de climatização (HVAC), iluminação e sistemas de controlo. A Exergio considera que esse ajuste fino é atualmente um campo ideal para a IA, pois permite obter economias mais rapidamente. Um segundo passo é a substituição de equipamentos obsoletos (como caldeiras, refrigeradores ou bombas) por outros mais eficientes. O terceiro incorpora energias renováveis ou contratos de longo prazo, mas apenas quando o consumo básico já está sob controlo. Os autores sublinham que a implantação de energias renováveis deve ser reservada para o final, pois acrescenta pouco valor se a procura não tiver sido otimizada previamente.
Para além da tecnologia, o documento insiste no fator organizacional. A eficiência depende menos da adição de hardware e mais da forma como os sistemas existentes são geridos. O que falta é uma cultura de gestão energética ativa: a SEM define as regras do jogo e a IA mantém os equipamentos dentro desses limites de forma contínua, com as pessoas a tomarem as decisões.
Esta abordagem está estruturada num ciclo de cinco etapas: avaliação, planeamento, implementação, desenvolvimento de capacidades e acompanhamento. Na prática, a IA pode regular a climatização simultaneamente em função da ocupação, da meteorologia e dos padrões de utilização, enquanto os gestores definem objetivos de poupança, estabelecem intervalos de conforto e analisam os resultados. A Exergio indica que já operava com essa lógica antes de receber o nome de SEM, e que a sua plataforma se conecta aos sistemas de gestão energética do edifício para ajustar o HVAC com base em métricas como dados de sensores e presença. A empresa enquadra essa abordagem em uma IA “centrada nas pessoas”, orientada a trazer transparência e facilitar a confiança na operação diária.







