Como tornar o setor tecnológico mais igualitário: Seis estratégias para uma mudança real

A indústria tecnológica continua a ser um dos setores mais desafiantes para a representatividade feminina. A disparidade de género permanece evidente, um estudo da HP a revela que as mulheres apenas se candidatam a vagas quando cumprem 100% dos requisitos, enquanto os homens o fazem com apenas 60%.
8 de Março, 2025

Segundo a McKinsey, menos de um terço (29%) dos cargos de liderança no setor são ocupados por mulheres. O resultado? Uma escassez de referências femininas que desencoraja futuras gerações de mulheres a seguirem carreiras tecnológicas.

A tb.lx, tecnológica portuguesa subsidiária da Daimler Truck, acredita que esta desigualdade pode – e deve – ser combatida com medidas concretas. Eis seis estratégias que podem contribuir para um setor mais diverso e representativo:

1. Programas de mentoria e liderança feminina

A orientação de jovens profissionais por líderes experientes não só fortalece a progressão na carreira, como torna os objetivos mais tangíveis. Programas estruturados de mentoria e coaching, como a C-Level Mentorship Academy e a comunidade Geek Girls Portugal, são essenciais para colmatar desafios específicos enfrentados por mulheres no setor, promovendo networking e a troca de experiências.

2. Educação e formação desde cedo

As parcerias entre empresas tecnológicas, escolas e universidades são fundamentais para desmistificar a ideia de que a tecnologia é um setor masculino. Iniciativas como a Portuguese Women in Tech trabalham na capacitação de mulheres para a indústria tecnológica, proporcionando formação e incentivando a participação feminina desde cedo. Criar um pipeline de talento diversificado começa na educação.

3. Eventos focados em mulheres no setor

A criação de espaços seguros e dedicados ao desenvolvimento de mulheres nas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) é essencial para impulsionar carreiras. Eventos específicos não só proporcionam oportunidades de aprendizagem e partilha, como também ajudam a construir redes de contacto essenciais para o crescimento profissional. Além de inspiradores, são também uma ponte entre talento e empresas comprometidas com a diversidade.

4. Reformulação dos processos de recrutamento

Pequenos ajustes nos processos de recrutamento podem ter um impacto significativo. O uso de linguagem neutra nos anúncios de emprego, o foco em competências técnicas em detrimento de critérios subjetivos e a diversidade nas equipas de recrutamento são passos fundamentais para tornar as seleções mais justas. Quando o processo é mais inclusivo, a diversidade torna-se uma realidade – e as empresas beneficiam com equipas mais criativas e inovadoras.

5. Flexibilidade laboral para equilíbrio pessoal e profissional

A retenção de talento feminino passa por políticas que permitam conciliar carreira e vida pessoal. Horários flexíveis, teletrabalho e apoio à parentalidade são fatores-chave para garantir que mulheres possam progredir profissionalmente sem comprometer outras áreas da vida. Empresas que investem em ambientes de trabalho centrados nas pessoas colhem benefícios a longo prazo, com equipas mais motivadas e produtivas.

6. Políticas de diversidade e inclusão

A diversidade e a inclusão não podem ser apenas um slogan – têm de estar enraizadas na cultura empresarial. Avaliações justas, formações sobre preconceitos de género e processos de recrutamento transparentes são ferramentas essenciais para um ambiente verdadeiramente equitativo. Empresas que adotam estas práticas tornam-se mais competitivas e resilientes num mercado em constante mudança.

O compromisso da tb.lx

A tecnológica portuguesa tb.lx já começou a pôr estas estratégias em prática. Atualmente, 30% dos seus colaboradores são mulheres, sendo que 30% destas ocupam cargos de gestão. Além disso, 60% da equipa de liderança da empresa é composta por mulheres. “Na tb.lx, acreditamos que a diversidade é fundamental para impulsionar a inovação. A implementação de estratégias eficazes de atração e retenção de talento feminino é essencial para construirmos um setor tecnológico mais equilibrado, representativo, completo e criativo. Queremos não ser a exceção, mas a regra”, afirma Ana Belo, Talent Acquisition Lead da empresa.

O caminho para um setor tecnológico mais igualitário é longo, mas estas iniciativas mostram que a mudança não só é possível, como necessária. A diversidade não é apenas uma questão de justiça – é um motor de inovação, crescimento e sucesso empresarial.

Opinião