COP29: Reveladas as metas para financiamento climático

Com menos de dois meses até à Cimeira do Clima das Nações Unidas (COP29), a liderança do Azerbaijão, que assume a presidência rotativa do evento, revelou na terça-feira as suas prioridades, num esforço para impulsionar o progresso nas metas de financiamento climático e aumento da capacidade de armazenamento de energia.
18 de Setembro, 2024

A COP29 que ocorrerá em novembro, reunirá países de todo o mundo para debater medidas para mitigar os impactos das alterações climáticas e acelerar a transição para uma economia verde.

Um dos principais objetivos da COP29 é estabelecer uma nova meta anual de financiamento que os países ricos deverão disponibilizar para apoiar as nações mais pobres na adaptação às alterações climáticas. Muitos países em desenvolvimento sublinham que, sem um aumento significativo no financiamento, será impossível avançar com planos mais ambiciosos para reduzir emissões de gases com efeito de estufa.

Atualmente, o financiamento climático continua a ser um ponto de discórdia, com divergências profundas entre as nações sobre o valor que deve ser mobilizado. No entanto, a presidência da COP29, liderada por Mukhtar Babayev, ministro da ecologia e dos recursos naturais do Azerbaijão, apresentou várias iniciativas paralelas que poderiam aumentar a ambição das metas sem a necessidade de consenso formal entre os países, o que muitas vezes dificulta o progresso nas negociações.

Entre essas iniciativas destacam-se novos fundos, promessas e declarações voluntárias que podem ser adotadas por governos nacionais. Um exemplo é um fundo com contribuições voluntárias de países e empresas produtoras de combustíveis fósseis, destinado a apoiar o setor público e privado em questões climáticas, incluindo a concessão de subsídios para ajudar países em desenvolvimento a responder a desastres naturais relacionados com o clima.

Outro objetivo-chave para a COP29 é a expansão da capacidade de armazenamento de energia a nível global, uma peça fundamental para garantir a estabilidade das redes elétricas numa era de energias renováveis intermitentes. A presidência da cimeira espera angariar apoio para aumentar a capacidade global de armazenamento de energia seis vezes em relação aos níveis de 2022, alcançando 1.500 gigawatts até 2030.

Para apoiar este objetivo, a cimeira também propõe um compromisso de investir fortemente nas infraestruturas de redes elétricas, com a meta de adicionar ou renovar mais de 80 milhões de quilómetros de redes até 2040. Estas melhorias são essenciais para garantir que a eletricidade proveniente de fontes renováveis, como a solar e a eólica, possa ser distribuída de forma eficaz e estável.

No ano passado, na COP28 em Dubai, mais de 120 países comprometeram-se a triplicar a capacidade global de energias renováveis até 2030. Esta nova meta de armazenamento de energia surge como um complemento necessário para assegurar que a produção de energia limpa seja capaz de satisfazer a procura, mesmo quando as condições meteorológicas não são ideais para a produção de energia solar ou eólica.

Apoio ao hidrogénio verde e a necessidade de infraestruturas

A agenda de Babayev inclui ainda uma declaração global para o desenvolvimento do mercado de hidrogénio verde, uma das fontes de energia mais promissoras para descarbonizar indústrias pesadas e o transporte de longa distância. Este esforço pretende resolver os obstáculos regulatórios, tecnológicos e de financiamento que atualmente travam o crescimento desta tecnologia. O desenvolvimento de um mercado global de hidrogénio poderá ser um passo importante para acelerar a transição energética, sobretudo em setores de difícil descarbonização.

No entanto, para que estas metas sejam atingidas, os líderes da COP29 enfatizam a necessidade urgente de aumentar a infraestrutura necessária para suportar o hidrogénio verde e outras tecnologias limpas, incluindo estações de armazenamento e redes de transporte de energia.

A luta contra as emissões

Num momento em que o planeta enfrenta temperaturas recordes e emissões de dióxido de carbono provenientes da queima de combustíveis fósseis atingiram um pico histórico, os líderes da COP29 também apelaram a uma “Trégua Climática”. Este apelo sublinha a importância de um esforço global coordenado para promover a paz e a ação climática, sugerindo que o conflito e a inação ambiental estão intrinsecamente ligados.

Mesmo com os compromissos climáticos atuais, a realidade é que as emissões de carbono continuam a aumentar, agravando os efeitos das alterações climáticas. O verão de 2023 foi o mais quente de que há registo, demonstrando de forma alarmante a urgência de uma ação climática mais rápida e ambiciosa.

Os desafios da COP29

A COP29 surge num momento crítico para o futuro do clima global. Embora as metas delineadas pelo Azerbaijão, com foco no financiamento climático e no armazenamento de energia, sejam promissoras, ainda existem muitos desafios a superar, especialmente no que diz respeito ao consenso entre nações sobre os valores de financiamento necessários. As iniciativas paralelas, que incluem fundos voluntários e promessas para impulsionar a infraestrutura energética, podem ser uma forma de contornar algumas das barreiras políticas e garantir progressos tangíveis.

Com o aumento da pressão para que os países ricos apoiem as nações mais vulneráveis na luta contra as alterações climáticas, a COP29 terá de encontrar um equilíbrio entre ambição e pragmatismo. A resposta global às alterações climáticas está num ponto de viragem, e as decisões tomadas em novembro terão implicações profundas para o futuro da sustentabilidade e da resiliência climática.

Com informação Reuters

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