A Microsoft apresentou os primeiros PCs Copilot Plus em 2024, posicionando-os como computadores capazes de executar aplicações de inteligência artificial diretamente no dispositivo, sem ligação à Internet, graças a unidades especializadas conhecidas como NPUs. Segundo vários especialistas, o conceito acabou por criar barreiras técnicas artificiais e expectativas difíceis de cumprir, tanto junto de consumidores como de empresas e programadores.
Alguns analistas defendem que o mercado nunca pediu computadores reforçados com novas funções de IA. Na sua perspetiva, muitos PC Windows já conseguem tirar partido de algumas capacidades locais e os trabalhos mais exigentes continuam a ser realizados na cloud. Esta distância entre o que os utilizadores esperavam e o que os equipamentos realmente ofereciam acabou por gerar desilusão. Quem seguiu o entusiasmo em torno dos AI PC acabou por pagar mais por computadores com poucas aplicações práticas.
A apresentação recente da Microsoft na conferência Ignite reforçou esta perceção. O destaque foi dado ao Windows 365 e aos novos agentes inteligentes na cloud, relegando os PC Copilot Plus para segundo plano. Houve pequenas novidades exclusivas desta gama, como melhorias na pesquisa do Windows, novas formas de ditar texto ou ferramentas de escrita offline, mas estas evoluções tiveram pouca visibilidade.
A Microsoft reafirma que pretende manter funcionalidades diferenciadas nos Copilot Plus, mencionando melhorias como o Recall em pré-visualização e ferramentas de produtividade integradas no sistema. Ainda assim, a empresa continua com dificuldades em comunicar de forma clara o propósito destes computadores, tanto para o público doméstico como empresarial. Há analistas que defendem que a maioria das necessidades de IA continua a ser respondida pela cloud, o que reduz a urgência de hardware dedicado nos PC.
Outro ponto é o preço. Os primeiros Copilot Plus surgiram como equipamentos mais caros, mas sem casos de uso suficientes para justificar o investimento adicional. A atual geração não impulsionou um aumento real do mercado em volume, embora tenha contribuído para elevar os preços médios de venda e separar melhor o segmento premium do restante mercado. A previsão mais comum é que, a longo prazo, todos os PC Windows acabem por integrar funcionalidades de IA, ainda que com níveis diferentes consoante a gama.
Em outubro, a Microsoft indicou que todos os computadores passarão a ser AI PC, sugerindo que algumas exclusividades dos Copilot Plus poderão ser alargadas. No mesmo período, foram anunciadas novas funcionalidades do Copilot disponíveis para todos os PC com Windows 11, reforçando a ideia de que a fronteira entre equipamentos especializados e computadores comuns tende a esbater-se.
No lançamento inicial dos Copilot Plus, a promessa era de um vasto conjunto de aplicações adaptadas aos novos chips de IA. O ecossistema de software, porém, não acompanhou o ritmo, e a diversidade de chips de vários fabricantes complicou o trabalho dos programadores, obrigados a desenvolver diferentes versões das mesmas aplicações. Esta fragmentação foi apontada como um dos principais fatores de confusão.
Este problema poderá atenuar-se com o Windows ML 2.0, que deixa de distinguir entre diferentes processadores e acelerações de IA, permitindo um desenvolvimento mais uniforme. A adição dos modelos de linguagem Phi e Mu para execução local também reforça esta linha de simplificação.
Entretanto, surgem sinais de mudança na própria indústria de chips. Há quem acredite que a exigência de NPU muito potentes perdeu força, com indicações de que alguns fabricantes possam voltar a dar prioridade às GPU para tarefas de IA. O processador Panther Lake, previsto para os próximos PC, reforça esta perceção ao concentrar mais capacidade de IA na GPU e apenas uma evolução reduzida na NPU.
Vários observadores interpretam estas alterações como parte de uma estratégia mais ampla da Microsoft. Para alguns especialistas, o Copilot Plus pode ter funcionado sobretudo como um impulso de marketing, enquanto o Windows evolui de forma mais profunda para um sistema orientado à IA. A visão apontada é a de que a Microsoft procura definir requisitos mínimos considerados essenciais para o futuro do Windows e trabalhar com todos os fabricantes de chips nesse sentido.







