O lançamento oficial do IberianQCI decorreu nas instalações da Infraestruturas de Portugal, em Almada, numa sessão que contou com uma mensagem em vídeo do Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz. O projeto integra-se no programa europeu EuroQCI, a futura Infraestrutura Europeia de Comunicações Quânticas, concebida para assegurar comunicações altamente seguras entre os Estados-Membros da União Europeia.
O IberianQCI pretende criar uma rede ibérica de comunicações quânticas interoperável com a futura infraestrutura europeia, ligando Portugal e Espanha através de componentes terrestres e espaciais.
O projeto terá uma duração superior a três anos e procura interligar as infraestruturas nacionais de comunicações quânticas dos dois países. A componente terrestre prevê uma ligação transfronteiriça entre Vigo e Valença, baseada em nós de confiança, reforçando a conectividade ibérica e integrando as redes nacionais existentes.
Já a componente espacial inclui a instalação de três estações óticas em Madrid, Barcelona e no sul de Portugal, ligadas ao segmento terrestre em Lisboa. Estas infraestruturas permitirão estabelecer ligações ao satélite demonstrador EAGLE-1, em baixa órbita terrestre, e à futura constelação SAGA. O projeto prevê ainda a integração de uma estação ótica em Vigo para ampliar a cobertura e a capacidade de acesso ao segmento espacial.
A combinação entre redes terrestres e ligações por satélite surge como um elemento central da estratégia europeia para garantir comunicações resilientes em longas distâncias, sobretudo em geografias onde a fibra ótica apresenta limitações técnicas.
Segundo os responsáveis pelo projeto, esta arquitetura híbrida é particularmente relevante em países como Portugal, devido às limitações atuais da fibra ótica nas comunicações quânticas de longa distância. Atualmente, a tecnologia disponível não permite utilizar ligações de fibra ótica para comunicações quânticas acima de aproximadamente 100 quilómetros sem degradação significativa do sinal. O recurso a satélites reduz esse problema, permitindo cobrir distâncias muito superiores com menor atenuação.
O desenvolvimento destas infraestruturas está diretamente relacionado com o avanço da computação quântica. O aumento da capacidade computacional dos futuros computadores quânticos representa um desafio para os atuais sistemas de criptografia assimétrica utilizados em comunicações digitais. A capacidade de resolver determinados problemas matemáticos em segundos poderá comprometer os mecanismos de proteção atualmente usados em comunicações governamentais, infraestruturas críticas e serviços económicos sensíveis.
Assim a distribuição quântica de chaves, conhecida como QKD, assume um papel central. Esta tecnologia utiliza propriedades quânticas dos fotões para garantir que qualquer tentativa de interceção de uma chave criptográfica possa ser detetada em tempo real.
O projeto posiciona a Península Ibérica como uma peça relevante na futura rede europeia de comunicações quânticas seguras, num momento em que a União Europeia procura reforçar a proteção de infraestruturas críticas e informação sensível.
A Indra Space assume a coordenação de um consórcio que reúne entidades científicas, tecnológicas e industriais de Portugal e Espanha. Do lado português participam a Infraestruturas de Portugal, a IP Telecom, o Instituto de Telecomunicações, a Altice Labs e o Instituto Superior Técnico. Em Espanha integram o projeto a Universidade Politécnica de Madrid, a Telefónica, o Consejo Superior de Investigaciones Científicas, o Instituto de Ciências Fotónicas de Barcelona, o Centro de Supercomputación de Galiza e a Universidade de Vigo.
A liderança da Indra Space no IberianQCI surge na sequência do trabalho já desenvolvido pela empresa em iniciativas relacionadas com comunicações quânticas na Península Ibérica, incluindo projetos associados ao EuroQCI e ao Portugal QCI.
Paralelamente, através da Hispasat, está também em desenvolvimento o projeto Q-Design, focado na combinação de distribuição quântica de chaves através de satélites geoestacionários e de baixa órbita terrestre com infraestruturas terrestres. Estão igualmente em curso trabalhos relacionados com o protótipo QKD-GEO, apontado como o primeiro sistema espanhol de distribuição quântica de chaves geoestacionárias.







