A Lenovo publicou os resultados de uma nova investigação sobre o futuro dos centros de dados na região EMEA, que revela uma realidade clara: os modelos tradicionais de infraestrutura estão a tornar-se obsoletos face às exigências crescentes de sustentabilidade, soberania dos dados e escalabilidade para a inteligência artificial. Mais de 90% dos líderes de TI dizem priorizar soluções energéticas sustentáveis, mas menos de metade afirma que os seus centros de dados estão preparados para atingir objetivos ambientais.
O estudo “Data Center of the Future”, conduzido pela Lenovo em parceria com a empresa de estudos Opinium, mapeia os fatores que moldarão o design, a tecnologia e a localização dos centros de dados nas próximas décadas. O crescimento exponencial da procura de computação, aliado à pressão regulatória e ambiental, está a tornar a adaptação urgente.
Segundo os dados recolhidos, 46% das organizações admitem que os seus centros de dados atuais não cumprem os objetivos de redução de consumo energético ou emissões de carbono. Ainda assim, 92% dos responsáveis de TI dizem que dão prioridade a parceiros tecnológicos com compromisso na redução da pegada de carbono. Esta discrepância expõe os limites dos sistemas convencionais, especialmente no arrefecimento — onde as soluções baseadas em ar têm mostrado ineficácia crescente perante os requisitos de eficiência e redução de impacto ambiental.
Refrigeração líquida surge como alternativa eficaz, permitindo retirar até 98% do calor gerado diretamente na fonte, como é o caso da tecnologia Neptune da Lenovo, que promete melhorias significativas no consumo energético e na eliminação da dependência de métodos tradicionais.
Soberania dos dados impõe-se como prioridade estratégica
A complexidade da regulamentação regional e a crescente atenção dos decisores executivos fazem da soberania dos dados uma das prioridades mais vincadas. Quase 99% dos líderes de TI na EMEA acreditam que a soberania dos dados será um fator determinante nos próximos anos. Atualmente, 88% já a consideram uma prioridade no desenho e localização das suas infraestruturas.
Este fator está também a influenciar a necessidade de latência reduzida, destacada por 94% dos inquiridos como essencial, especialmente em setores que dependem de aplicações em tempo real ou da chamada edge computing.
Apesar do entusiasmo, a integração da inteligência artificial nas organizações continua a enfrentar entraves estruturais. Embora 90% dos decisores acreditem que a IA vai aumentar significativamente o uso de dados nas suas empresas nos próximos dez anos, 41% reconhecem que a sua infraestrutura atual não está preparada para essa realidade.
A IA e a automatização são apontadas como os fatores com maior impacto na estratégia tecnológica das organizações nos próximos anos por 62% dos líderes de TI. No entanto, a capacidade de escalar de forma eficiente — mantendo custos e impactos sob controlo — continua a ser um desafio central.
Arquitetura visionária a longo prazo
A Lenovo colaborou com os arquitetos Mamou-Mani e os engenheiros da AKT II para explorar cenários de centros de dados a 30 anos, propondo conceitos futuristas baseados em refrigeração líquida, uso de recursos naturais e integração com infraestruturas urbanas ou naturais. Os três modelos conceptuais apresentados focam-se na redução do impacto ambiental e na utilização inteligente do espaço.
O conceito Cloud Flutuante propõe centros de dados suspensos na estratosfera, entre 20 e 30 km de altitude, alimentados a energia solar e com arrefecimento líquido em circuito fechado.
O projeto Data Village sugere estruturas modulares junto a rios ou canais, que aproveitam a proximidade às cidades para reduzir latência e reaproveitar o calor para aquecer instalações locais. Este modelo expande-se ainda para um “Data Spa”, com integração em paisagens naturais e alimentação por energia geotérmica.
Já o Data Center Bunker reutiliza infraestruturas subterrâneas como túneis ou antigos sistemas de transporte, otimizando a gestão térmica e minimizando o uso de solo urbano.
Todos os modelos foram desenhados com base na tecnologia de refrigeração líquida, considerada central para garantir eficiência e sustentabilidade em escala.
A principal conclusão do estudo mostra que os desafios colocados pela IA, pela regulação de dados e pelos objetivos de sustentabilidade exigem mudanças imediatas na forma como os centros de dados são concebidos, construídos e operados. O compromisso com soluções como a refrigeração líquida, já disponível comercialmente, é apontado como um passo necessário para alinhar desempenho com responsabilidade ambiental.
O crescimento da procura por capacidade de computação e a pressão para uma operação energeticamente eficiente estão a obrigar os responsáveis de TI a reavaliar as suas escolhas de infraestrutura. A mudança para tecnologias preparadas para o futuro não é opcional, mas estratégica.






