A adoção de ferramentas informáticas avançadas no âmbito empresarial experimentará um crescimento substancial a curto prazo, passando de uma presença inferior a 5% no ano corrente para integrar 40% das aplicações empresariais até ao ano 2026, de acordo com dados da Gartner. Para que estes sistemas proporcionem uma vantagem operacional real, a infraestrutura que os sustenta deve garantir uma transmissão de dados praticamente instantânea. Em setores como o automóvel autónomo ou os sistemas de segurança, o tempo de resposta é um fator crítico para a sua viabilidade. A informação viaja através de sinais luminosos entre as diferentes plataformas e centros de dados, e o tempo que leva neste trajeto de ida e volta é chamado de latência. Por este motivo, reduzir a distância física entre o local onde os dados são gerados e os centros onde são analisados é fundamental para garantir a velocidade e a fiabilidade do serviço.
Para reduzir estes tempos de resposta, a arquitetura da rede apoia-se nos pontos de troca de tráfego da Internet, instalações que permitem que as redes das empresas e dos fornecedores de serviços se conectem diretamente entre si, evitando enviar o tráfego através das rotas gerais e públicas da rede. O processamento local da informação nestes nós de interconexão elimina desvios desnecessários do tráfego de dados e reduz drasticamente a latência. Portugal tem sem dúvida uma posição geográfica favorável como ponto de conexão central para o sul da Europa. A implementação de centros de processamento periférico permite aproximar a capacidade de cálculo dos utilizadores finais, o que otimiza o funcionamento das aplicações industriais, do setor de manufatura ou da gestão sanitária.
O aumento intensivo do processamento de dados ameaça saturar a capacidade das instalações terrestres, o que levou a indústria a procurar alternativas de expansão para além da atmosfera. O ambiente espacial oferece acesso ininterrupto à energia e temperaturas extremamente baixas que facilitam a refrigeração natural dos equipamentos. Além de fornecer cobertura a zonas geográficas, marítimas ou aéreas onde a implantação de redes físicas é inviável. A indústria tecnológica prevê que os sistemas de satélite complementarão os centros de dados terrestres para criar uma nova rede troncal de comunicações de alta capacidade. Com estimativas da empresa McKinsey que avaliam a futura economia espacial em cerca de 1,8 biliões de dólares para o ano 2035, várias empresas já destinam capital ao desenvolvimento de centros de processamento em órbita.
Para se antecipar a este cenário, o operador de interligação DE-CIX desenvolve iniciativas orientadas para unificar estas duas esferas tecnológicas. Através do projeto batizado de Space-IX, a entidade trabalha na conexão das redes de satélites de órbita terrestre baixa com a infraestrutura de telecomunicações tradicional para facilitar o acesso à banda larga. Ao mesmo tempo, o projeto OFELIAS, desenvolvido em consórcio com a Agência Espacial Europeia e o Centro Aeroespacial Alemão, investiga novos algoritmos para estabilizar a troca de informações entre a superfície e o espaço utilizando ligações através de tecnologia laser.
O sucesso do futuro ecossistema tecnológico residirá na capacidade de transferir dados de forma eficiente entre os servidores terrestres e as constelações de satélites. Os responsáveis da DE-CIX, através do seu diretor executivo Ivo Ivanov, argumentam que a modernização da economia digital exige o estabelecimento, hoje, das normas técnicas necessárias para garantir que a futura infraestrutura espacial se integre de forma fluida na rede global de telecomunicações.






