O panorama tecnológico na região da Europa, Médio Oriente e África (EMEA) aproxima-se, segundo a Dell Technologies, de uma transformação substancial prevista para este mesmo ano de 2026, uma vez que, segundo a referida empresa, estamos perante uma mudança de ciclo em que a inteligência artificial abandonará o seu estatuto de novidade experimental para se tornar um padrão operacional, especialmente no setor público.
A empresa norte-americana explica que, até agora, as administrações públicas realizaram testes-piloto, mas ao longo deste mesmo ano passarão a uma adoção massiva dessa tecnologia para modernizar sistemas herdados e otimizar os processos de contratação, buscando oferecer serviços mais eficientes e personalizados ao cidadão.
Esta implantação não se limitará a uma mera atualização de software, mas, segundo a Dell, redefinirá a geopolítica digital. Os países da região estão a impulsionar o conceito de soberania da IA, priorizando o armazenamento local de dados e o fomento da inovação nacional, uma tendência para a localização da tecnologia que poderia aumentar a lacuna existente entre as nações mais avançadas e as em desenvolvimento, embora simultaneamente abra a porta a novas alianças estratégicas entre economias emergentes.
Neste contexto, a segurança das infraestruturas de dados torna-se crítica, ao mesmo tempo que o auge dos agentes autónomos em setores sensíveis, como as finanças ou a saúde, obrigará ao estabelecimento de regulamentos rigorosos que garantam a supervisão humana e a transparência.
Para sustentar este crescimento, de acordo com a Dell, a relação entre os governos e a indústria tecnológica evoluirá para uma colaboração muito mais estreita. A multinacional tecnológica prevê que as instituições públicas forneçam o quadro regulatório e o apoio necessário para que a inovação seja escalável e responsável, enquanto o setor privado implantará a infraestrutura técnica.
Estas alianças público-privadas serão decisivas para exportar as capacidades regionais e reforçar a resiliência digital, permitindo que a região EMEA consolide a sua posição no tabuleiro tecnológico global.
Um dos desafios mais tangíveis que acompanha esta expansão é o consumo de recursos; de acordo com dados da Agência Internacional de Energia, os centros de dados consumiram aproximadamente 460 terawatts-hora de eletricidade a nível mundial em 2022, e prevê-se que este número duplique até 2026 devido à expansão da IA. As projeções para a Europa são ainda mais exigentes, com estimativas de consultoras como a McKinsey a apontar que o consumo poderá triplicar até 2030 se as tarifas atuais não forem alteradas.
Esta realidade física obriga os governos a modernizar as instalações críticas e a resolver os estrangulamentos nas redes elétricas, incentivando o desenvolvimento de modelos de computação mais eficientes e favorecendo os territórios com acesso a fontes de energia limpa.
Por fim, a tecnologia requer capital humano qualificado para ser operacional. A prioridade deixou de ser a preparação futura para se concentrar na ação imediata, uma vez que a velocidade de adoção dessas ferramentas exige formar e reciclar os trabalhadores atuais para que possam assumir funções assistidas por inteligência artificial, em vez de esperar por uma nova geração de profissionais.
A Dell espera que surjam políticas para incentivar as empresas a investir em formação prática e na troca de conhecimentos entre setores, com o objetivo final de que os benefícios desta transformação tecnológica sejam distribuídos de forma equitativa e sirvam para capacitar as pessoas nos seus postos de trabalho.






