A Dell anunciou a disponibilização de suporte para NVIDIA NemoClaw e NVIDIA OpenShell, duas componentes que visam responder a um dos principais desafios atuais da inteligência artificial nas empresas: como executar agentes autónomos de forma segura, controlada e fora da cloud.
A proposta conjunta da Dell e da NVIDIA centra-se na execução local de agentes de IA, reduzindo a dependência de infraestruturas externas e reforçando o controlo sobre dados críticos. O anúncio surge num momento em que os agentes autónomos ganham relevância, após o lançamento do OpenClaw no início de 2026, que evidenciou a capacidade destes sistemas para executar tarefas complexas de forma contínua e com pouca intervenção humana.
Estes agentes distinguem-se por conseguirem escrever código, criar subagentes especializados e interagir com ferramentas profissionais. No entanto, essa autonomia levanta questões relevantes para as organizações, sobretudo ao nível da segurança, governação e acesso a dados.
O NVIDIA NemoClaw procura responder a este problema ao introduzir uma camada de infraestrutura que isola os agentes num ambiente controlado, sem necessidade de alterar o código existente. Na prática, funciona como uma “sandbox”, ou seja, um ambiente isolado onde o software pode ser executado com permissões limitadas, reduzindo riscos. Os agentes começam sem permissões atribuídas e cada ação é regulada por políticas definidas ao nível da infraestrutura, mantendo também a inferência de dados privada por defeito.
Complementarmente, o NVIDIA OpenShell atua como ambiente de execução open source, permitindo correr agentes autónomos e modelos como o NVIDIA Nemotron de forma segura. Esta abordagem é particularmente relevante para equipas de desenvolvimento que trabalham localmente, oferecendo uma forma simplificada de implementar agentes sempre ativos com um único comando.
No plano do hardware, a Dell posiciona a gama Pro Max como uma resposta direta às exigências deste novo tipo de cargas de trabalho. Os sistemas Dell Pro Max com GB10 e GB300 foram concebidos para suportar agentes autónomos em funcionamento contínuo, combinando capacidade de processamento, memória e eficiência energética.
O modelo com GB10, baseado na arquitetura NVIDIA Grace Blackwell, oferece até 1 petaFLOP de desempenho em operações de IA e 128 GB de memória unificada. Esta configuração permite executar modelos de maior dimensão localmente e adaptar-se a diferentes escalas, mantendo um perfil energético controlado, um fator crítico para agentes que operam de forma permanente.
Já o Dell Pro Max com GB300 introduz um salto significativo em capacidade. Com até 20 petaFLOPS de desempenho e 748 GB de memória, este sistema permite executar modelos de escala muito elevada diretamente no posto de trabalho, sem necessidade de ligação à cloud. Para os decisores de TI, este ponto é particularmente relevante, uma vez que reduz latência, melhora a previsibilidade operacional e mitiga riscos associados à transferência de dados.
A execução local traz ainda benefícios ao nível da continuidade de negócio, garantindo funcionamento mesmo em cenários sem conectividade. A Dell destaca também a tecnologia térmica MaxCool, concebida para manter a estabilidade do sistema sob cargas intensivas.
Outro vetor estratégico passa pela possibilidade de utilização em ambientes isolados, incluindo contextos com dados classificados. Está em desenvolvimento uma solução com isolamento físico que permitirá operar agentes autónomos sem qualquer ligação a redes externas, um requisito típico de setores regulados.
Para equipas de desenvolvimento e investigação, estas plataformas encurtam o ciclo entre experimentação e produção, permitindo testar, ajustar e implementar modelos de forma mais rápida diretamente no ambiente local.
No conjunto, a parceria entre Dell e NVIDIA aponta para uma mudança gradual no modelo de adoção de inteligência artificial nas empresas. Em vez de depender exclusivamente da cloud, começa a emergir um modelo híbrido ou mesmo local-first, especialmente em cenários onde a segurança, a latência e o controlo são fatores críticos na decisão de investimento tecnológico.
A disponibilidade imediata destas soluções coloca agora a questão no lado das organizações: até que ponto estão preparadas para integrar agentes autónomos nos seus processos e que papel querem atribuir à infraestrutura local nesse caminho.







