Desafios de cibersegurança na Internet das Coisas

A convergência entre novas exigências regulatórias na União Europeia, a sofisticação das ciberameaças e a evolução dos padrões de identidade digital está a impor uma reconfiguração profunda nos requisitos de segurança para milhões de dispositivos conectados globalmente.
18 de Junho, 2026

O panorama global da Internet das Coisas (IoT) enfrenta uma transformação estrutural motivada pelo aumento do risco digital e por um quadro legislativo cada vez mais exigente. A Wireless Logic adverte que a combinação de novas regulações, padrões avançados de identidade digital e o crescimento das ciberameaças está a redefinir os critérios de segurança na IoT, afetando ecossistemas tecnológicos à escala mundial. Esta evolução ocorre num momento em que estas tecnologias ganham uma importância crescente na operação de setores vitais, incluindo a atividade industrial, o fornecimento de energia, a prestação de cuidados de saúde, a gestão de transportes, o retalho e os sistemas de pagamentos. Neste contexto, a cibersegurança consolidou-se como um fator fulcral para mitigar riscos, proteger dados e sustentar a confiança nas redes conectadas.

Para fazer face a esta realidade complexa, a empresa propõe um modelo de segurança assente em três vetores fundamentais que envolvem a proteção, a deteção e a resposta. Esta arquitetura técnica combina soluções de conectividade segura, implementação de redes privadas, mecanismos de autenticação robusta e gestão de identidade digital, integrando ainda a monitorização sistemática de dispositivos, redes e aplicações.

Dentro desta abordagem, a vertente de deteção assume uma relevância particular através da utilização de inteligência artificial para a análise contínua de fluxos de dados. Este processo visa identificar desvios comportamentais nos equipamentos, tais como oscilações anómalas no tráfego de rede, quebras imprevistas de ligação ou tentativas de comunicação provenientes de origens desconhecidas, otimizando a rapidez e a eficácia na mitigação de incidentes. Com o intuito de operacionalizar esta capacidade, a plataforma Anomaly & Threat Detection monitoriza continuamente milhões de sinais operacionais para detetar anomalias antes que estas afetem operações críticas.

Segundo Afonso Freitas, responsável de desenvolvimento de negócio da Wireless Logic para a Península Ibérica, o mercado concluiu a fase de conectividade em larga escala e enfrenta agora o desafio de assegurar a identidade, a confiança e a verificação do comportamento dos dispositivos em tempo real, aspetos sem os quais a gestão eficaz do ecossistema se torna inviável.

Esta transição tecnológica coincide com o endurecimento do quadro normativo na União Europeia. O reforço da regulação europeia, através do Cyber Resilience Act e da norma EN 18031, eleva as exigências de conceção segura e gestão de risco na cadeia tecnológica, imputando maiores responsabilidades aos intervenientes no mercado ao longo do ciclo de vida dos produtos.

A par das obrigações legais, o setor assiste à introdução de novas especificações técnicas orientadas para a identidade e proteção de dispositivos. Entre os mecanismos em desenvolvimento, destaca-se o IoT SAFE, que emprega o cartão SIM como um elemento seguro para armazenar credenciais e realizar a autenticação, fortalecendo as ligações entre os equipamentos locais e as plataformas na cloud. Adicionalmente, a especificação SGP.32 visa simplificar a gestão remota de cartões eSIM em larga escala, conferindo flexibilidade operacional às organizações sem reduzir os patamares de proteção. Face à rápida adoção destas tecnologias e à pressão regulatória, o futuro dos ecossistemas IoT dependerá diretamente da capacidade de convergir conectividade resiliente, identidade digital e monitorização inteligente.