Descoberta uma vasta campanha de fraude financeira baseada na entrada da SpaceX na bolsa

Uma investigação revelou um ecossistema criminoso multicanal, em atividade durante oito meses, que utilizou a entrada na bolsa da empresa aeroespacial e alegações falsas sobre IA para angariar fundos de utilizadores em mais de quinze países.
8 de Julho, 2026

Entre outubro de 2025 e junho de 2026, uma operação de fraude financeira a nível internacional aproveitou o interesse gerado pela entrada da SpaceX na bolsa. Esta campanha maliciosa manteve-se ativa durante oito meses, prolongando-se mesmo após a empresa aeroespacial ter entrado formalmente nos mercados financeiros.

Para levar a cabo o esquema, os atacantes utilizaram simultaneamente: redes sociais, e-mail, mensagens de texto, seminários web e chamadas telefónicas. Através destes cinco canais coordenados, procuraram persuadir os utilizadores a depositar os seus fundos em plataformas de investimento fraudulentas.

A tática principal consistia em enviar falsos pedidos de elegibilidade, levando os destinatários a acreditar que tinham sido selecionados para uma oportunidade exclusiva de compra de ações, afastando-se da aparência de uma oferta comercial em massa.

A campanha conseguiu atingir utilizadores de mais de 15 países, tendo-se detetado um maior volume de envios de e-mails maliciosos na Austrália, no Reino Unido, na Irlanda, na Alemanha, na Roménia, em França e na África do Sul. Em todos estes territórios, um elemento recorrente para conferir credibilidade ao esquema foi a falsa promoção de algoritmos de IA aplicados a sistemas de operações bolsistas automatizadas.

Em dezembro de 2025, o ecossistema expandiu-se com a introdução de campanhas de mensagens curtas para telemóveis, o que permitiu aos atacantes alargar o seu alcance para além das caixas de entrada tradicionais.

Durante os primeiros meses de 2026, a narrativa dos ataques evoluiu para incorporar conceitos tecnológicos em voga e, assim, entre janeiro e fevereiro, começaram a proliferar anúncios baseados na utilização de sistemas de IA e seminários web formativos concebidos para atrair e enganar as potenciais vítimas.

Com a chegada do mês de março, a coordenação entre os diferentes canais de divulgação tornou-se evidente, repetindo as mesmas mensagens de forma simultânea para reforçar a credibilidade da operação através de uma exposição contínua. Nos meses de abril e maio, à medida que se aproximava a data prevista para a estreia nos mercados financeiros, intensificaram-se as comunicações que faziam referência às futuras avaliações e estratégias de investimento associadas.

Por fim, neste último mês de junho, a atividade atingiu o seu auge com táticas centradas na urgência e no medo de perder uma oportunidade de negócio única.

Para levar a cabo esta estratégia, os responsáveis pela campanha estruturaram um funil de conversão que utilizava cada canal de comunicação para um objetivo específico. As redes sociais foram utilizadas como primeira linha de contacto através de anúncios concebidos para gerar expectativa inicial sobre marcos financeiros e rendimentos extraordinários.

Uma vez captada a atenção dos profissionais, os e-mails forneciam contexto e uma falsa sensação de legitimidade, convidando os utilizadores a apresentar pedidos de elegibilidade para aceder a um contingente supostamente limitado de participações. Para forçar a tomada de decisões, as mensagens de texto curtas aumentavam a pressão, destacando contagens decrescentes e prazos iminentes.

O último elo desta cadeia de fraude consistia no contacto direto através de chamadas telefónicas, com uma duração de dezasseis minutos, nas quais o interlocutor garantia lucros semanais superiores a 11 000 €, recorrendo a diversas táticas de pressão e utilizando como argumento de venda a notoriedade da marca aeroespacial e as suas supostas ferramentas de investimento algorítmico.

As técnicas de persuasão utilizadas durante a chamada telefónica apresentavam os indicadores clássicos de fraude financeira, tais como a promessa de rendimentos garantidos, explicações vagas sobre o funcionamento técnico da plataforma e a insistência na utilização de nomes de dirigentes conhecidos para gerar confiança.

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