Desempenho da rede de satélites Starlink melhora 45% no mercado europeu

No primeiro trimestre de 2026, as velocidades de transferência via satélite aumentaram significativamente na maioria dos países europeus, consolidando esta tecnologia como uma alternativa de acesso e apoio em zonas com infraestruturas terrestres limitadas ou em desenvolvimento.
27 de Maio, 2026

A análise do estado das telecomunicações em 27 países europeus revela que as velocidades de download da Starlink registaram um aumento anual de 45% entre o primeiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2026. Durante estes primeiros 3 meses do ano em curso, a rede de satélite atingiu uma velocidade média de download de 165,71 megabits por segundo, contra os 114,05 registados 12 meses antes, situando a média de upload em 24,10 megabits por segundo e a latência em 49 milissegundos.

A nível geográfico, a Letónia, a Grécia e a Croácia registaram as maiores velocidades médias de download do continente, com 232,51, 196,31 e 188,02 megabits por segundo, respetivamente. Além disso, países como Chipre, a Polónia e a própria Letónia destacaram-se por registarem os aumentos interanuais mais acentuados neste parâmetro. A principal anomalia estatística observou-se na Bulgária, território que concentrou a maior quota de adoção desta tecnologia na Europa, atingindo 8% do total de amostras, mas que, paradoxalmente, registou o desempenho de download mais baixo, com 61,06 megabits por segundo.

A informação extraída dos testes de ligação demonstra que a implantação do satélite cobre as lacunas deixadas pela cablagem terrestre, sendo especialmente visível nas áreas onde as redes fixas apresentam deficiências, atrasos na sua instalação ou dificuldades de expansão. A par da Bulgária, países como a Grécia, a Croácia, a Irlanda e a Letónia apresentaram as taxas mais elevadas de utilização, evidenciando um padrão de adoção ligado a zonas geográficas que ainda aguardam a chegada da fibra ótica ou que recorrem a esta solução espacial para manter a conectividade face a falhas nas linhas físicas causadas por tempestades de inverno e outros cortes de energia elétrica.

Apesar do avanço destas plataformas de órbita terrestre baixa, as redes fixas terrestres mantêm vantagens técnicas significativas em mercados com infraestruturas maduras. Embora o sistema de satélites tenha conseguido superar a velocidade média de download das ligações fixas em onze dos 27 estados analisados, as infraestruturas tradicionais ofereceram uma latência inferior em todos os territórios, sem exceção, e um maior desempenho de upload em 26 deles.

Esta superioridade da fibra e do cabo é evidente na Dinamarca, Malta, Finlândia, Roménia, Luxemburgo, Países Baixos e Eslovénia, locais onde a quota de utilização por satélite se manteve abaixo de 1%. Neste grupo de países, o serviço espacial ficou aquém da velocidade média nacional por uma média superior a 80 megabits por segundo. O que confirma que a penetração desta alternativa sem fios é marginal onde existe uma implantação massiva e rápida de redes terrestres de alta capacidade.

Por fim, o mercado europeu da conectividade espacial começa a mostrar sinais de diversificação com a chegada incipiente de novos intervenientes empresariais e institucionais. Embora a rede Starlink domine atualmente o segmento de consumo, projetos como o Eutelsat OneWeb, o programa europeu IRIS² e o sistema Amazon Leo delineiam o início de um cenário de maior concorrência. Este último concluiu a implantação de mais de trezentos satélites no final de abril de 2026, embora as suas operações ainda não tenham gerado um volume de tráfego suficiente para figurar nas medições de banda larga residencial europeias.

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